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sábado, 22 de março de 2008

A Pedido


Pergunta:

"Será que era possível um esclarecimento acerca dos termos "surpreendido" e "surpreso"? Parece-me que muitas pessoas usam de forma errada, por exemplo, "estou surpreso" ou "fiquei surpreso".Obrigado!"

Resposta:

Antes de mais, agradeço o facto de ter utilizado o Dizedores para colocar uma dúvida.

O objectivo é ter no blogue um espaço definido para a colocação de dúvidas que surjam da utilização coetânea da língua portuguesa, mas, por enquanto, ainda não foi possível conceber esse almejado espaço.

Quanto à questão propriamente dita, estamos perante um verbo que possui duas formas de particípio passado, uma regular e outra irregular.

A regra, para estes casos, define que se deve empregar a forma regular com os auxiliares ter e haver, ao passo que a irregular deve ser utilizada com os verbos ser e estar.

Há, contudo, excepções, como no caso de verbos em que a forma irregular se usa com os auxiliares ter e haver: coberto, escrito, ganho, gasto, pago, etc.

Se consultarmos o artigo apresentado aqui no dia 22 de Outubro, é referido, também, que “as formas irregulares empregam-se com os verbos andar, ser, estar, ficar, ir e vir”, como é mencionado no Guia Prático dos Verbos Portugueses, de Deolinda Monteiro e Beatriz Pessoa.

No Ciberdúvidas, refere-se que somente as formas irregulares se usam como adjectivos e são as que se empregam com os verbos andar, estar, ficar, ir e vir: «Andamos mortos de cansaço», «Fiquei preso ao arame», «Estou liberto do trabalho», «Vou directo ao assunto», «Venho aflita com as horas».

Assim sendo, as expressões «estou surpreso» e «fiquei surpreso» (admirado, espantado) estão correctas, uma vez que o particípio irregular «surpreso» é usado como adjectivo.

No caso de significar “apanhado de surpresa”, só se utiliza a forma regular: «A polícia foi surpreendida por mais uma onda de assaltos».

Alexandre Herculano


28 de Março de 1810

Augusto Abelaira


18 de Março de 1926

21 de Março

Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia comemora-se a 21 de Março por iniciativa da UNESCO, que o proclamou em 1999 com o objectivo de defender a diversidade linguística.

segunda-feira, 10 de março de 2008

ACORDO ORTOGRÁFICO

“O acordo ortográfico da língua portuguesa deverá passar por um período de transição nos próximos seis anos. Limadas as arestas da lusofonia, o português que se escreve nos vários continentes ficará mais próximo. Mas os especialistas continuam divididos.

Em declarações ao PortugalDiário, a presidente da Sociedade da Língua Portuguesa (SLP), Maria Elsa Rodrigues dos Santos, disse ter recebido como uma boa notícia a aprovação por parte do Governo da proposta do segundo protocolo modificativo ao acordo ortográfico da língua portuguesa, de 1991.

«O Brasil tem muitos falantes e correríamos o risco de ficar isolados», apontou a linguista, salientando o acerto em estabelecer um período de transição de seis anos.

Maria Elsa Rodrigues dos Santos admitiu que o processo possa gerar dificuldades, mas disse acreditar que a adaptação acabará por ser um processo «natural». «Tivemos várias reformas da língua, que fomos aceitando», relevou, recordando a «reforma do ph de 1945», quando «pharmácia» passou a escrever-se «farmácia».

A presidente da SLP frisou que da parte do Brasil também haverá cedências e que esta será uma forma de impor internacionalmente uma língua com mais de 200 milhões de falantes.

«Alternativa seria ficarmos isolados»

A mesma opinião foi expressa pelo linguista e consultor do Ciberdúvidas, D`Silvas Filho. «A alternativa seria ficarmos isolados, orgulhosamente sós neste canto da Península Ibérica com a nossa língua portuguesa», adiantou ao PortugalDiario, realçando que seria a «língua brasileira» que acabaria «espalhada pelo mundo», dada a sua dimensão.

O especialista salientou ainda que, com este acordo, se admite «uma dupla grafia» para palavras como «facto» e «pacto». Desdramatizando as alterações, recordou que «antes do acordo entrar em vigor, daqui a seis anos, estará publicado o vocabulário comum».

«Lamentável» que Portugal continuasse fora

Já o professor e académico Malaca Casteleiro, um dos mais acérrimos defensores da alteração da norma ortográfica, vê esta notícia como «importante e gratificante». «Era lamentável que houvesse já três países que aprovaram o protocolo e que Portugal continuasse de fora», disse à agência Lusa.

Para Malaca Casteleiro, o prazo de seis anos «é razoável» e suficiente para levar a cabo as alterações propostas no texto do acordo. «Se o objectivo é promover a lusofonia, é claro que para o alcançar é útil, é conveniente, é praticamente indispensável que ele entre em vigor nos oito países» de língua oficial portuguesa e em Macau.

«Língua portuguesa vai cobrir-se de ridículo»

Já o escritor Vasco Graça Moura, confrontado com a notícia da ratificação do Acordo Ortográfico, é peremptório: «Acho que é um erro!».

Num artigo de opinião recentemente publicado no Diário de Notícias, Vasco Graça Moura escrevia que «a aplicação do Acordo não levará apenas ao caos no ensino nos oito países. Levará a que a língua portuguesa se cubra de ridículo no plano internacional».

Mesmo sem se abordar a questão dos interesses culturais, políticos, económicos ou geostratégicos em jogo, continua Graça Moura, «qualquer leigo verifica que o Acordo não traz qualquer utilidade ou mais-valia. Enferma de muitos vícios e, a entrar em vigor, será altamente pernicioso nos mais variados planos».

Ao PortugalDiário, o escritor disse ter esperança de que a 7 de Abril, no Parlamento, «se encontre uma solução razoável». Uma solução, diga-se, muito próxima do que existe actualmente: «Corrigir as muitas deficiências do texto [do acordo ortográfico] e considerar legítimas as diferentes grafias nos vários espaços da língua, as quais passariam a figurar nos dicionários e vocabulários».”

PortugalDiário, 06/03/2008

Sítio: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=acordo

Camilo Castelo Branco


16 de Março de 1825

Raul Brandão



12 de Março de 1867

Ruy Cinatti




8 de Março de 1915


Ruy Cinatti

Vigília

Paralelamente sigo dois caminhos
Abstracto na visão de um céu profundo.
Nem um nem outro me serve, nem aquele
Destino que se insinua
Com voz semelhante à minha. O melhor mundo
Está por descobrir. Não seque a lua
Nem o perfil da proa. Vai direito
Ao vago, incerto, misterioso
Bater das velas sinalado de oculto.


Quero-me mais dentro de mim, mais desumano
Em comunhão suprema, surto e alado
Nas aragens nocturnas que desdobram as vagas,
Chamam dorsos de peixe à tona de água
E precipitam asas na esteira de luz.
Da vida nada senão a melhoria
De um paraíso sonhado e procurado
Com ternura, coragem e espírito sereno.


Doçura luminosa de um olhar. Ameno
Brincar de almas verticais em pleno
Sol de alvorada que descerra as pálpebras.

Eugénio de Castro


4 de Março de 1869