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domingo, 27 de abril de 2008

Branquinho da Fonseca


4 de Maio de 1905

Oliveira Martins


30 de Abril de 1845

Jaime Cortesão

29 de Abril de 1884


Jaime Cortesão

“Romance do Homem da Boca Fechada”

- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
- Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia...
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás-de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida desonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saía
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!
Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.
..................................................
Este poema de Jaime Cortesão circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 .

25 de Abril de 1974


As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.


Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.


Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém diz.


Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que morro por meu país.


Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio -- é tudo o que tem

quem vive na servidão.


Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.


E o vento não me diz nada

ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.


Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)

vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).


Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.


E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira de um rio triste.


Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.


E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento

e o vento nada me diz.


Mas há sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.


Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre


23 de Abril



Dia Mundial do Livro




domingo, 13 de abril de 2008

ARQUIPÉLAGO DAS PALAVRAS

HÁ PALAVRAS QUE NOS DESPEM POR DENTRO QUANDO NOS VESTIMOS DE LAVADO


JOÃO LOBO ANTUNES

Neurocirurgião

“Na educação continuamos muito abaixo da qualidade necessária para o País, e está a perder-se tempo — que não é um tempo real, são anos-luz — em termos de procurar soluções. É uma doença crónica que já aflige a nossa Educação. Acresce que é no ensino secundário que se molda, em grande parte, aquilo que os rapazes e raparigas vêm a ser no exercício da cidadania, nas qualidades de trabalho, de exigência, de disciplina.

“ Mesmo para quem exerce uma profissão técnico-científica como é a minha, a História, a Filosofia e o Português são fundamentais. Tenho participado em sessões para tentar salvar a Filosofia do currículo. Faço-o com gosto porque a formação filosófica — «a capacidade de ver para lá da aparência das coisas», como dizia Fernando Gil — é fundamental. E repare como muito deste debate da Educação se fica pela aparência das coisas... Reduzir a Filosofia a uma inanidade cinzenta é um crime. O problema é que esses crimes são como alguns efeitos de estufa intelectual, em que só vemos as consequências anos depois.

“Repare como essa frase [«Li muito, li tudo para o que desse e viesse», de Vitorino Nemésio] contraria a teorização da pedagogia moderna, em que querem objectivos, comportamentos, programas, axiomas como «só se pode ensinar aquilo que pode ser avaliado». Perde-se o valor da Educação na perspectiva nemesiana — o saber livre, o saber gratuito, o saber por saber — e fica-se nesta história de saber porque vão perguntar-me para ver se sei.

Excertos da entrevista dada à revista Visão (27 de Março de 2008)

O Novo Acordo Ortográfico

Este libelo, da autoria de João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia, já é recorde de vendas nas livrarias.

Explica, de forma sucinta, as alterações introduzidas pelo Acordo na ortografia da língua portuguesa.

O livro começa por traçar uma explicação histórica do Novo Acordo Ortográfico, passando, depois, pela sua defesa, características e, então, alterações.


Ainda o acordo ortográfico, depois do debate na Assembleia da República, realizado no dia 7 de Abril

Língua portuguesa

Choque de titãs deixa deputados hesitantes face ao Acordo Ortográfico

08.04.2008 - Adelino Gomes

Já se aproximavam as 18 horas quando a deputada Teresa Portugal (PS) abriu a última parte da sessão - aquela em que se iriam conhecer as posições dos representantes partidários acerca do acordo ortográfico, o tema que mobilizava desde as 10 e meia da manhã catedráticos, linguistas, editores, membros de institutos e associações da língua portuguesa, reunidos na sala do Senado da Assembleia da República, em Lisboa.

A deputada começou por historiar a "atribulada história dos múltiplos acertos e desacertos da ortografia" da língua portuguesa. Mas em breve não hesitaria em confessar-se dividida "perante uma argumentação igualmente convincente" que ouvira, ao início da tarde, quando Vasco Graça Moura e Carlos Reis esgrimiram argumentos contra e a favor do acordo ortográfico ratificado em 1990, mas que agora voltou uma vez mais ao Parlamento, como proposta de resolução apresentada pelo Governo, para resolver um imbróglio jurídico, facilitando a entrada em vigor do acordo de 1990 desde que pelo menos três dos oito países contratantes depositem os respectivos instrumentos de ratificação.

As frases-chave dos dois deputados que se lhe seguiram, do PSD e do CDS-PP, alinharam pelo mesmo tom: o PSD "manifesta abertura de espírito para valorizar todos os argumentos aqui ouvidos" (Ana Zita Gomes); "ficámos a conhecer todos os pontos de vista, nalguns casos, felizmente, antagónicos" (Pedro Mota Soares, do CDS-PP).

As múltiplas interrogações com que o deputado do PCP, João Oliveira, recheou a sua intervenção ("Será este acordo um factor de cooperação? De que serve um acordo ortográfico sem uma política da língua portuguesa no mundo?") indiciavam uma mesma reserva em desvendar o sentido de voto final, apenas revelado, na prática, pelo representante do Bloco de Esquerda (BE). Este, ficou claro, será de apoio ao acordo. Disse Luís Fazenda: "Respeitamos objecções levantadas por pessoas com competência técnica [referia-se aos linguistas que se manifestam contra aspectos do acordo]. Contudo, o que é importante é o sinal político e esse vai muito para além deste acordo de aproximação ortográfica e é o seguinte: no conjunto de Estados que se exprimem em português há uma cogestão da língua."

Graça Moura vs Carlos Reis

O carácter tão ostensivamente prudencial como os deputados se pronunciaram (alguns insistindo que falavam a título meramente pessoal) terá talvez a ver com o brilhantismo dos dois convidados especiais da audição parlamentar - Vasco Graça Moura e o catedrático de Coimbra e reitor da Universidade Aberta, Carlos Reis.

Eurodeputado do PSD, escritor ("esteta da escrita", chamou-lhe Teresa Portugal), Graça Moura não poupou palavras no ataque ao documento. A começar no título da intervenção - "Acordo ortográfico: a perspectiva do desastre". E a continuar nas intenções ocultas que nele descortina - "decerto à revelia das melhores intenções dos negociadores portugueses, o Acordo (...) serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo", em especial de Portugal, e representa "uma lesão inaceitável de um capital simbólico acumulado e de projecção planetária".

Vasco Graça Moura distribuiu pelo documento críticas de carácter jurídico (para o Acordo vigorar na ordem interna portuguesa não lhe bastam a aprovação parlamentar e a ratificação do Presidente da República - necessita de "ter assegurada a sua vigência no ordenamento internacional", algo que está longe de acontecer pois foi ratificado até agora por três dos oito Estados de língua portuguesa); de carácter processual (o Governo "não consultou nenhuma Universidade, nem o Conselho de Reitores, nem a Associação Portuguesa de Escritores, nem a Sociedade de Língua Portuguesa") e, sobretudo, de carácter técnico.

Os defensores do Acordo, disse, não deram resposta até hoje "a nenhuma das críticas científicas" formuladas por linguistas. "O único objectivo real de toda a negociação do Acordo", acusa, foi o de suprimir as consoantes mudas ou não articuladas "c" e "p", o que levará a "homogeneizar integralmente a grafia portuguesa com a brasileira (...) desfigurando a escrita, a pronúncia e a língua que são as nossas".

Carlos Reis avançou logo com uma "declaração de desinteresses" seguida de outra de "interesses: "Não tenho dependências económicas nem cumplicidades políticas; a minha única preocupação é com a Língua Portuguesa como idioma dividido por oito países."

O que está em causa neste acordo ortográfico, disse, "é aproximar o modo como escrevemos do modo como falamos (...). Há alguma ofensa cultural se passo a escrever "elétrico" em vez de "eléctrico"?", perguntou, numa rajada de interrogações em que quis saber se Portugal se deve manter agarrado a uma "concepção conservadora da ortografia"; se serão os interesses das editoras "absolutamente determinantes para condicionarem decisões de amplo alcance a alargado espectro cultural"; se "podem alguns portugueses persistir em encarar o Brasil como um parceiro menor neste processo ou até como um inimigo"; e se Portugal tem o direito de colocar obstáculos, "as mais das vezes artificiais ou fundados em interesses económicos, a um entendimento que não afecta identidades nem legítimas singularidades linguísticas".

Retirado de Público.pt



Acordo ortográfico: Governo quer prioridade à discussão na AR

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, considerou hoje «prioritário» o agendamento do debate na Assembleia da República da proposta de resolução do Governo que contribuirá para a ratificação do acordo ortográfico pelo Estado Português.

No início de Março, o Governo aprovou em Conselho de Ministros uma resolução propondo ao Parlamento a ratificação do segundo Protocolo Modificativo, que abre caminho à aplicação do Acordo Ortográfico, mas estabeleceu um período de transição de seis anos.

Em declarações à agência Lusa, Augusto Santos Silva afirmou que a proposta de resolução do executivo «aguarda » o parecer da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e que só depois de emitido este parecer o Governo poderá agendar para plenário da Assembleia da República a discussão do diploma.

«Logo que esse trabalho da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros esteja concluído, o Governo pedirá imediatamente o agendamento da proposta de resolução», salientou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

Segundo o ministro dos Assuntos Parlamentares, o agendamento da resolução que permitirá depois a ratificação do acordo ortográfico «é um passo prioritário».

«É importante que o debate do acordo ortográfico se faça [em plenário] o mais rapidamente possível. Até agora, em virtude de a Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura ter promovido recentemente uma audição sobre este tema, não fazia sentido o Governo estar a agendar a questão para plenário», justificou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

O Acordo Ortográfico, que visa unificar a escrita do português, foi alcançado em finais de 1990 e deveria ter entrado em vigor em 1994, mas apenas três dos Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - aprovaram quer o acordo quer os dois protocolos modificativos entretanto estabelecidos entre os países da CPLP.

O segundo desses protocolos, de 2004, prevê que é suficiente a ratificação do texto por três países para que o mesmo entre em vigor.

Este Protocolo Modificativo foi assinado por todos os países lusófonos, mas apenas ratificado inicialmente pelo Brasil e Cabo Verde, tendo em Agosto de 2006 sido ratificado igualmente por São Tomé e Príncipe.

Diário Digital / Lusa
10-04-2008

Antero Tarquínio de Quental


18 de Abril de 1842

Fernando Namora



15 de Abril de 1919

Soeiro Pereira Gomes


14 de Abril de 1909

sábado, 5 de abril de 2008

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL


2 de Abril


O Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se nesta data para homenagear o escritor Hans Christian Andersen, que nasceu a 2 de Abril.


O Patinho Feio, A Pequena Sereia e O Soldadinho de Chumbo são algumas das histórias mais conhecidas deste magnífico escritor dinamarquês.


Novo acordo ortográfico, período de transição

“O período de transição é de seis anos, mas a data exacta de entrada em vigor do novo acordo será uma decisão política, oportunamente tomada.

Se não houver adiamentos, entrará em vigor, sim, por volta de 2014. (...)

Enquanto não for decidido oficialmente que Portugal passa a escrever só no acordo de 1990 (é a data de assinatura que caracteriza os acordos), continua em vigor a grafia actual, de 1945; e não recomendo que nos textos correntes se escreva já no novo acordo ou que se façam misturas, pois isso poderia trazer grande confusão.

Ressalva-se o caso da formação escolar, ou de textos formativos, nos quais poderá haver uma "biortografia", por exemplo, com escrita em pé de página dos novos termos.

NOVO ACORDO: {exata}, {letivo}, {atual}.”

“Recomendo, no entanto, que nas escolas se dê formação para as diferenças, particularmente para os formandos que ainda estiverem em aprendizagem quando o novo acordo entrar em vigor.

Sendo de esperar que surja alguma confusão, recomendo tolerância na marcação de erros ortográficos quando nos formandos houver trocas entre as duas normas. Talvez sublinhá-los com cor diferente, indicando, com essa outra cor, que não se trata propriamente de um erro, mas de uma chamada de atenção para o facto de que a palavra ainda não está oficialmente em vigor.”

D´Silvas Filho, in Ciberdúvidas

Sebastião da Gama


10 de Abril de 1924

Sebastião da Gama, o poeta que, nas palavras do professor Hernâni Cidade, tinha o “insofrido anseio de se dar às coisas como aos seres”.


Pequeno poema

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava.

.........................................................

Nem homens cortaram veias,

nem o Sol escureceu,

nem houve Estrelas a mais...

Somente,

esquecida das dores,

a minha Mãe sorriu e agradeceu.

.............................................................

Quando eu nasci,

não houve nada de novo

senão eu.

.............................................................

As nuvens não se espantaram,

não enlouqueceu ninguém...

............................................................

Pra que o dia fosse enorme,

bastava

toda a ternura que olhava

nos olhos de minha Mãe...

José Sobral de Almada Negreiros



7 de Abril de 1893


Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro

“Os homens fizeram Deus à sua imagem e semelhança e depois fizeram-se à imagem e semelhança de Deus...”

Luís de Sttau Monteiro, in Felizmente Há Luar!,
Areal Editores, p. 132


3 de Abril de 1926

ARQUIPÉLAGO DAS PALAVRAS

ILHAS QUE SE TOCAM POR MARES CAIADOS DE BRANCO

Miguel Real

Escritor, professor, ensaísta, especialista em Cultura e Estudos Portugueses, 54 anos

“A escola fomenta uma competição técnica feroz, promove o individualismo e renega o ensino dos valores da partilha, da honra, da lealdade, da motivação para as artes e a cultura. Hoje, nenhum aluno estuda para se motivar, estuda para médias e metas. A escola está totalmente submetida ao mercado. Já não interessa formar cidadãos humanistas, responsáveis e intervenientes. O fim das pessoas é o dinheiro, sempre. Portugal cheira alarvemente a dinheiro.”


“Qual é a diferença entre a mulher analfabeta, ignorante, de bigode e lenço preto, o Ronaldo e o Mourinho?! Do ponto de vista espiritual, nenhuma. A única diferença é técnica e económica: os dois do futebol ganham dinheiro e a porteira nunca passou da cepa torta. Mas quando as elites de Paris e Londres olham para Portugal pensam em Saramago, Lobo Antunes, Manoel de Oliveira, Paula Rego. O rosto de Portugal para a Europa não pode ser técnico nem económico. Não lhes tiro o valor, mas Mourinhos e Ronaldos todos têm, uns melhores, outros piores. Os Camões e os Pessoas não nasceram para render dinheiro, nasceram para render o que dá sentido à vida: arte, cultura, espírito, transcendência.”

Excertos da entrevista dada à revista Visão (13 de Março de 2008), a propósito do seu último livro, A Morte de Portugal, um livro que nos desnuda.