Faça dinheiro sem esforço

domingo, 18 de maio de 2008

Mário de Sá-Carneiro


19 de Maio de 1890
.......................................
Poemas
7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
(Lisboa, Fevereiro de 1914)
................................................................
FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos berros e aos pinotes —
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas.
.......................................................
Que meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro...
(Paris, 1916)

Sem comentários: