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domingo, 27 de julho de 2008

Prémio Camões 2008

João Ubaldo Ribeiro
«O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) aplaudiu hoje (26 de Julho) a atribuição do Prémio Camões a João Ubaldo Ribeiro, mas estranhou a decisão do júri de só ponderar nomes de escritores brasileiros.

Em relação ao escritor brasileiro, José Jorge Letria sublinha a capacidade de “combinar a inovação no processo narrativo com um olhar muito interventivo e atento da realidade contemporânea”.

Para o vice-presidente da SPA, Ubaldo Ribeiro “representa a verdadeira ponte cultural entre duas realidades transatlânticas”, sublinhando que a atribuição do prémio foi “justa” e que Ubaldo Ribeiro “há muito a merecia”.

Letria considerou ainda que a distinção veio “num bom momento”, uma vez que Portugal assumiu sexta-feira a presidência da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Quanto à decisão do júri de só analisar no concurso deste ano escritores brasileiros, o representante pediu que sejam reveladas as razões para este “regime de excepção”. “Se não forem apresentadas razões parece-me injustificável. Em abstracto não me parece haver justificação”, comentou.

João Ubaldo Ribeiro é o oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este prémio, que na sua edição anterior foi atribuído ao português António Lobo Antunes.

Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio Camões distingue anualmente um autor que no conjunto da sua obra tenha contribuído para enriquecer o património cultural e literário da língua portuguesa.»

A internacionalização da língua portuguesa

Carlos Reis, em artigo publicado no Jornal de Letras n.º 986, tece algumas considerações resultantes de um estudo solicitado pelo Governo português acerca deste tema.

"Uma estratégia para a internacionalização da língua portuguesa deve ter em atenção factores de condicionamento específicos: políticos, financeiros, históricos, culturais, educativos e também geolinguísticos."

"Se os países de língua oficial portuguesa se sentam à mesa, tomando-a como tema de comum preocupação, então este é o tempo certo: tempo para fazer e não para adiar, para agregar esforços e não para dispersar energias."

Vamos a ver se realmente as preocupações deixam o papel e passam para a prática. Que não seja mais um daqueles momentos em que se descobre algo para os outros e não para nós. Acredito efectivamente que é tempo de falar pouco e fazer mais. A ver vamos.

Prémios Gulbenkian


Pedro Costa, cineasta, foi distinguido com o Prémio Gulbenkian Arte.

Sérgio Rebelo, especialista em macro-economia, foi o escolhido na categoria Ciência.

A Federação Portuguesa dos Bancos alimentares contra a Fome ganhou no que toca à Beneficência.

A Associação de jardins-escola João de Deus conquistou o Prémio de Educação.

O Prémio Calouste Gulbenkian Internacional foi atribuído ex-aequo à Global Footprint Network, dos Estados Unidos, e ao The Marine Science Institute, das Filipinas, organismos que se têm destacado na luta pela defesa do ambiente e da biodiversidade.

in Jornal de Letras n.º 986

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Amadeu Baptista ganha Prémio de Poesia Espiral Mayor


O poeta português Amadeu Baptista, com o livro Açougue, venceu a XVI edição do "Premio de Poesía Espiral Mayor", que é atribuído na Galiza e é o mais elevado prémio de arte poética da Península Ibérica.





O júri, composto pelos poetas Xosé María Álvarez Cáccamo, Xavier Rodríguez Baixeras e Miguel Anxo Fernán Vello, atribuiu o prémio por unanimidade.
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A este prémio, no valor de 15.000 euros, concorreram este ano um total de 206 obras provenientes da Galiza, Portugal e Brasil.
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O júri elogiou a "estrutura original de toda a poética, de base autobiográfica" assim como a sua "capacidade de evocação do passado", já que se trata de uma crónica pessoal "que ao mesmo tempo ilumina uma espécie de crónica colectiva" do povo português.
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Segundo o júri, trata-se de uma proposta "de grande interesse poético e literário" na construção do "eu", com uma expressão linguística "limpa, natural e fluida". Segundo o júri, foi a edição com "mais qualidade em toda a história do certame".
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O vencedor terá também o seu trabalho publicado na Colecção de Poesia "Ediciones Espiral Mayor", com uma tiragem de 2.000 exemplares.
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Poeta premiado
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Amadeu Baptista, nascido em 1953, no Porto, tem mais 20 livros de poemas publicados.
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É membro da Associação Portuguesa de Escritores e do Pen Clube Português.
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Tem no seu currículo vários outros galardões, sendo os mais recentes o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, o Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire, o Prémio Literário Florbela Espanca, o Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica e o Prémio Literário Cidade do Funchal.
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CPLP/Cimeira: Aplicação do Acordo Ortográfico é "uma tarefa urgente" - Sócrates

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
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Lisboa, 25 Jul (Lusa) - O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que a aplicação do Acordo Ortográfico é uma "tarefa urgente", acrescentando que é preciso acertar um calendário entre os países que já o ratificaram.
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Na conferência de imprensa final da VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Sócrates não avançou uma data para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, mas afirmou que Portugal vai "começar a trabalhar já" nas diferentes áreas em que o acordo vai ser aplicado.
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Segundo o primeiro-ministro português, os países que já ratificaram o acordo - Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - devem acertar o calendário para a aplicação do acordo, nomeadamente nos boletins oficiais, como é o caso do Diário da República.
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Sócrates destacou ainda a importância de ser criado um "dicionário electrónico para a correcção de erros ortográficos".
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Em relação aos países que ainda não ratificaram o documento, o primeiro-ministro referiu que Angola se comprometeu nesta cimeira a dar prioridade à ratificação após as eleições legislativas, marcadas para 05 de Setembro.
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O Acordo Ortográfico foi aprovado no parlamento português em Maio último e promulgado recentemente pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
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Nas declarações aos jornalistas no final da cimeira, Sócrates reiterou a prioridade que a presidência portuguesa da CPLP vai dar à promoção e divulgação da língua portuguesa.
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"A cimeira de Lisboa ficará na História por ser a cimeira da língua, a área onde vamos investir o melhor dos nossos recursos", disse, acrescentando que, "através da língua, joga-se o futuro da afirmação da CPLP".
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Na sessão de encerramento da cimeira, o primeiro-ministro citou o poeta e deputado socialista Manuel Alegre: "o nosso dever levar a língua portuguesa para a frente da batalha política mundial".
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"É essa a nossa prioridade", disse José Sócrates, acrescentando que "são sempre os poetas a encontrar as melhores formulações para os objectivos políticos".
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Questionado sobre se na cimeira foram assinados acordos comerciais na área da Energia entre os países da CPLP, o chefe do Governo português referiu que se trata de "um campo aberto à cooperação", mas que "o importante é partilhar boas práticas" para cumprir os objectivos ambientais definidos pelas organizações internacionais.
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"A matéria para cooperação é imensa", disse Sócrates, esclarecendo logo de seguida: "não é no petróleo que estamos a pensar, mas sim numa maior autonomia do petróleo por parte de todos os países, mesmo os produtores".
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VM.
Lusa/Fim
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Prémio Camões




imagem

"António Lobo Antunes recebeu esta tarde o Prémio Camões, numa cerimónia que decorreu nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, na presença dos chefes de Estado de Portugal e Brasil. Para o presidente do júri, Fernando Martinho, o escritor é "um dos que melhor cumpre os objectivos" do galardão."

O 2.º Dia da VII Cimeira da CPLP

Lema da Cimeira: "Língua Portuguesa: Um Património Comum, Um Futuro Global".
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Miguel Esteves Cardoso

Sociólogo, jornalista e escritor português.
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25 de Julho de 1955

Luís António Verney


23 de Julho de 1713
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"Vieira - O Céu na Terra"



Padre António Vieira nasceu há 400 anos
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“Vieira – O Céu na Terra”, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa.

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A propósito das comemorações dos 400 anos do nascimento do padre António Vieira, o Teatro D.Maria II produz “Vieira – O Céu na Terra”. Uma peça da autoria de Filomena Oliveira e Miguel Real. Em cena, até ao dia 16 de Agosto, nas Ruínas do Convento do Carmo.
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quinta-feira, 24 de julho de 2008

José Aparecido de Oliveira, o obreiro da CPLP


José Aparecido de Oliveira (1929-2007),
idealizador e fundador da CPLP.
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José Aparecido de Oliveira começou a sua carreira política como secretário particular do ex-presidente Jânio Quadros, em 1962. No mesmo ano, foi eleito deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN). Em 1964, teve o mandato suspenso após o golpe militar, voltando à Câmara dos Deputados apenas em 1982. No início da década de 1980, foi um dos principais parceiros de Tancredo Neves, que mais tarde viria a ser eleito presidente do Brasil, embora tenha morrido antes de tomar posse. Entre 1985 e 1988, José Aparecido foi governador do Distrito Federal e, depois, ministro da Cultura no governo do então presidente José Sarney, de Setembro de 1988 a Março de 1990.
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No governo do ex-presidente Itamar Franco (1992-1994), Aparecido de Oliveira foi embaixador do Brasil em Portugal, ocasião em que impulsionou a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
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O seu último cargo político foi como assessor especial de Relações Internacionais na administração de Itamar Franco no governo de Minas Gerais (1999-2003).
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Excerto do texto de Durão Barroso ao JL (Jornal de Letras, n.º 986), intitulado "Uma personalidade carismática", no qual o Presidente da União Europeia discorre sobre a figura de José Aparecido de Oliveira, essencialmente no seu estremado labor em prol da língua portuguesa:
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«A perseverança com que José Aparecido liderou o processo de criação da CPLP provinha da sua profunda convicção de que a língua é um dos mais sólidos alicerces de uma comunidade de povos e um elemento central na cooperação entre países que, unidos pela mesma língua, constituem um bloco de peso na era da globalização, reforçando assim a sua influência na cena internacional.
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A projecção universal da língua portuguesa, uma língua de culturas diversas, com mais de 200 milhões de falantes, é uma componente essencial da presença da Europa no mundo. Terceira língua mais falada no Ocidente - a seguir ao inglês e ao espanhol - e sétima entre mais de seis milhões de línguas faladas no mundo, o enorme potencial da língua portuguesa cria novas oportunidades económicas e culturais e facilita a cooperação entre a União Europeia e outras regiões do mundo.»
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Outra nota:
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José Carlos de Vasconcelos, numa crónica da Visão (10 de Julho de 2008), referia que em 1988 os então sete países de língua oficial portuguesa decidiram-se pela criação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP). Contudo, tal definição nunca se concretizou, o que o leva a exortar os responsáveis para que definam um propósito a este respeito.
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Entre outras achegas dignas de consideração neste âmbito, reforça que a CPLP deveria ter outra dinâmica, o que passaria, por exemplo, por alterar o sistema de escolha do secretário-executivo da organização, que não é «escolhido em função da pessoa, por sua capacidade e competência, mas designado rotativamente pelos países-membros, por ordem alfabética», desde a criação da CPLP em 1996.
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O "erro" foi, assim, logo cometido no início, uma vez que José Aparecido de Oliveira, «o grande idealizador e obreiro da Comunidade», não foi o seu n.º 1.
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O próprio Mário Soares também defende esta mesma perspectiva, pois considera que foi «um erro imperdoável, da parte brasileira e portuguesa, que não tivesse sido designado para ser o primeiro secretário-executivo da organização, por meras razões mesquinhas e politiqueiras», José Aparecido (JL986).
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José Carlos de Vasconcelos persuade os responsáveis nestas lides a fazerem da CPLP uma organização de acção, com objectivos concretos, traduzidos numa vontade política conciliadora, para mais quando Portugal vai assumir a presidência deste organismo.
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A aposta tem de ser feita, com vigor, «na expansão e valorização da nossa língua».
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Conheça a CPLP


VII Cimeira da CPLP

«Os oito países lusófonos querem dar maior visibilidade internacional à Língua Portuguesa e desenhar uma estratégia comum de desenvolvimento.
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Nesta quinta-feira realizou-se um encontro de ministros. Os chefes de Estado encontram-se sexta-feira.»
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Retirado de http://ww1.rtp.pt

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Clique na imagem para ver o vídeo.



quarta-feira, 23 de julho de 2008

Today's story - Thoreau, Taxes, Disobedience


"On this day in 1846, Henry David Thoreau was jailed for not paying his poll tax. Thoreau was almost exactly half-way through his Walden stay, and had come to Concord to pick up a shoe at the cobblers; this came to the attention of Sam Staples, tax collector and warden of the county jail, who was under orders from the town fathers to confront and, if necessary, confine this most contrary of its sons."

To read the full story go here.

source: http://www.todayinliterature.com/

terça-feira, 22 de julho de 2008

Acordo Ortográfico

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
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Acordo Ortográfico: Promulgação é "estímulo" para política da Língua - Pinto Ribeiro
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2008-07-21

«O ministro da Cultura, António Pinto Ribeiro, qualificou hoje de "estímulo" para uma política da Língua a promulgação do Acordo Ortográfico pelo Presidente da República, nas vésperas da cimeira da CPLP, que decorrerá dias 24 e 25 em Lisboa.
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"Acho que é altamente significativo e só pode ser um estímulo para que nos coordenemos todos em torno de uma política da Língua", disse o ministro da Cultura à agência Lusa.
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Pinto Ribeiro referiu ainda que só depois de depositados todos os documentos de ratificação junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros o Acordo Ortográfico entra em vigor, não adiantando qualquer data para o efeito.
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Para a cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem como tema central a Língua Portuguesa, o ministro da Cultura avançou a hipótese de "uma certa coordenação entre os membros que já ratificaram e não ratificaram" o Acordo.
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Além de Portugal, o novo Acordo Ortográfico, que unifica a grafia da Língua Portuguesa, já foi ratificado pelo Brasil, Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe.»
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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ernest Hemingway


21 de Julho de 1899

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Plano Nacional de Leitura
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Livro recomendado no programa de Português do 9.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula.
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«O Velho e o Mar é, porventura, a obra-prima de maturidade de E. Hemingway. Santiago, um velho pescador cubano, minado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe. Vai então bater-se, durante quatro dias, com um enorme espadarte, que conseguirá de facto capturar, para logo o ver ser devorado por um grupo de tubarões. Esta aventura poética, onde Hemingway retrata, uma vez mais, a capacidade do homem para fazer face e superar com sucesso os dramas e as dificuldades da vida real, é seguramente uma das suas obras mais comoventes e aquela que mais entusiasmo tem suscitado, ao longo de mais de meio século, entre os seus fiéis leitores.
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O Velho e o Mar recebeu o Prémio Pulitzer, de 1952, e, dois anos mais tarde, valeu a Hemingway a obtenção do Prémio Nobel da Literatura.»
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Retirado de http://www.webboom.pt

domingo, 20 de julho de 2008

Francesco Petrarca



20 de Julho de 1304

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O desconcerto sentimental

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Pace non trovo e non ho da far guerra

Petrarca, Canzoniere CXXXIV

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Pace non trovo e non ho da far guerra

e temo, e spero; e ardo e sono un ghiaccio;

e volo sopra 'l cielo, e giaccio in terra;

e nulla stringo, e tutto il mondo abbraccio.

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Tal m'ha in pregion, che non m'apre nè sera,

nè per suo mi riten nè scioglie il laccio;

e non m'ancide Amore, e non mi sferra,

nè mi vuol vivo, nè mi trae d'impaccio.

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Veggio senz'occhi, e non ho lingua, e grido;

e bramo di perire, e chieggio aita;

e ho in odio me stesso, e amo altrui.

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Pascomi di dolor, piangendo rido;

egualmente mi spiace morte e vita:

in questo stato son, donna, per voi.

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Tanto de meu estado me acho incerto

Camões, Rimas

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Tanto de meu estado me acho incerto,

Que em vivo ardor tremendo estou de frio;

Sem causa, juntamente choro e rio;

O mundo todo abarco e nada aperto.

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É tudo quanto sinto um desconcerto;

Da alma um fogo me sai, da vista um rio;

Agora espero, agora desconfio,

Agora desvario, agora acerto.

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Estando em terra, chego ao Céu voando;

Numa hora acho mil anos, e é de jeito

Que em mil anos não posso achar uma hora.

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Se me pergunta alguém porque assim ando,

Respondo que não sei; porém suspeito

Que só porque vos vi, minha Senhora.

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Gastão Cruz

20 de Julho de 1941
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Não cantes o meu nome em pleno dia
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Não cantes o meu nome em pleno dia
não movas os seus ásperos motivos
sob a luz dolorosa sob o som
da alegria

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Não movas o meu nome sob as tuas
mãos molhadas do choro doutros dias
não retenhas as sílabas caídas
do meu nome da tua boca extinta

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Não cantes o meu nome a primavera
já o ameaça hoje principia
a vida do meu nome não o cantes
com a tua alegria

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Gastão Cruz, Os Nomes, Assírio & Alvim, 1974

sábado, 19 de julho de 2008

Recordar Cesário Verde


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Falecido, com 31 anos, no dia 19 de Julho de 1886.
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Manias

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, – hoje uma ossada, –
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!
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Porto, Diário da Tarde, 23 de Janeiro de 1874
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"Livro de Estilo"

GUIA DE LEITURA
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«Ao longo deste livro os leitores encontrarão textos de valor e objectivos diversos. E este é também um livro escrito a pensar em vários perfis de leitor diferentes entre si, quanto mais não seja, na sua relação com o PÚBLICO.
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Dúvidas sobre a grafia, o modo de formação do plural ou do feminino/masculino ou o significado de uma palavra, tire-as no Alfabeto do PÚBLICO. Nele encontrará as palavras em que os jornalistas do PÚBLICO com maior frequência "tropeçam", por razões tão inexplicáveis como as suas. Esta primeira parte do Alfabeto do PÚBLICO não pretende substituir um bom dicionário da Língua Portuguesa, mas ser apenas um auxiliar de consulta rápida. Nela encontra também um bom léxico das palavras-chave da ética, da técnica e da "gíria" jornalística.
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Dúvidas mais genéricas quanto à acentuação e aos tempos verbais podem ser esclarecidas na segunda parte do Alfabeto do PÚBLICO.
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Mas um jornal não é apenas um utilizador genérico da língua portuguesa. Acrescenta-lhe algumas convenções. As que foram adoptadas no PÚBLICO quanto ao uso de maiúsculas e minúsculas, de topónimos e de siglas encontram-se nestas páginas.
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Para "traduzir" medidas estrangeiras em unidades correntes em Portugal, facilitamos uma tabela de conversões.
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Ele contém capítulos inteiros pensados para funcionarem como instrumentos de consulta. Terá, por isso, atingido a sua razão de ser se o leitor o usar frequentemente.»
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Retirado de "Livro de Estilo", do Jornal Público
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Consulte aqui o "Livro de Estilo".
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Nota: Esta foi uma proposta de uma nossa consulente, o que desde já agradecemos.

"Os Estudantes e a Leitura"


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«Quase metade das crianças inquiridas considera que em sua casa “há muitos livros”. Consulte este estudo, realizado no âmbito do PNL, e fique a saber quem "não descansa enquanto não lê o livro todo".»

Abel Salazar



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19 de Julho de 1889
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Faça uma visita:
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Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
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Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

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Casa Museu Abel Salazar
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Mário Dionísio


16 de Julho de 1916
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Leia a biografia de Mário Dionísio em:


sábado, 12 de julho de 2008

Mafalda Veiga e João Pedro Pais


"A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia."

Ludwig Beethoven





sexta-feira, 11 de julho de 2008

Projecto a Ler +

"O Projecto A Ler + é uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura, da rede de Bibliotecas Escolares e da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, concebido com base no projecto Reading Connects, do National Reading Trust, do Reino Unido. Consistindo na criação de uma cultura de escola em que o prazer de ler e a leitura são elementos centrais e transversais a todas as actividades curriculares e extracurriculares, o projecto foi apresentado na Fundação Gulbenkian no dia 20 de Junho, com a intervenção de vários especialistas nacionais e ingleses, como Isabel Alçada, Alexandra Marques, Anabela Martins, Paula Morão, Sarah Osborne, Louise Kanolik e Chris Lamb."
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In Jornal de Letras (n.º 985)

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Para saber mais, clique nas seguintes entradas:
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  1. Projecto a Ler + envolve 33 escolas no próximo ano lectivo
  2. Apresentação pública [PDF]
  3. Brochura de apresentação [PDF]
  4. Orientações [PDF]



Falo, logo penso





Steven Pinker


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"Psicólogo canadiano, investigador da linguagem e do funcionamento da mente humana."
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"É um dos cientistas mais populares, admirados e discutidos da América do Norte. Steven Pinker pretende averiguar até que ponto o nosso cérebro foi programado pela evolução e qual a sua capacidade de aprendizagem. Para descobri-lo, o seu campo preferido de estudo é o das palavras; em concreto, os verbos regulares e irregulares."
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"Aos 54 anos, Steven Pinker parece mais uma estrela de rock, mas é, na realidade, um explorador da linguagem. Entre as frases e a sintaxe, Pinker procura pistas que o levem às profundezas do cérebro humano. Durante mais de um quarto de século, dedicou-se à investigação em institutos como o Instituto Tecnológico do Massachusetts (MIT) ou as universidades de Stanford e Harvard, onde é, actualmente, professor de Psicologia."
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"Através da metáfora, transferimos e transformamos formas de pensar que provêm de acções muito concretas, como deitar água ou atirar pedras. Podemos filtrar o conteúdo e usá-las como estruturas abstractas para raciocinar acerca de outras realidades. Por exemplo, usamos gráficos para exprimir relações matemáticas como se fossem linhas e superfícies no espaço. De facto, grande parte da linguagem científica é metafórica. (...) Quando juntamos o poder das metáforas com a natureza combinatória da linguagem e o pensamento, podemos criar um número praticamente infinito de ideias, mesmo que estejamos equipados com um inventário finito de conceitos e relações."
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"Pinker crê que as palavras e os mecanismos linguísticos dão pistas sobre como funciona a mente, que é precisamente o título de um dos seus livros mais conhecidos (O Mundo das Palavras -- Uma Introdução à Natureza Humana)."
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Excertos retirados da revista Super Interessante (n.º 123)
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Outras Ideias
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Cogito, ergo sum
Princípio em que Descartes fundou toda a sua doutrina filosófica, condicionando a crença na própria existência ao facto de poder pensar.
Dicionário da Língua Portuguesa 2006, Porto Editora
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Sum, ergo cogito
Remete para a tese do existencialismo: para os objectos, a essência precede a existência; para a consciência humana, a existência precede a essência.
Aula Viva, Porto Editora

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Números especiais - parte 2

Mais alguns aspectos sobre números considerados especiais (do ponto de vista matemático, e talvez não só).

"
Números «negativos» são menores que zero (como as temperaturas de um dia muito frio), e são representados com um «sinal de menos». São indispensáveis, mas têm os seus próprios paradoxos, como na regra (-1) x (-1) = +1."

Paradoxo para mim, é quando alguém é incapaz de ser coerente e contradiz-se a toda a hora. [aparte d'o Dizedor]

"
«Fracções» ou «números racionais» são quantidades que podem exprimir-se como o quociente de dois números inteiros, por exemplo 2/3 [leia-se dois terços]. São necessários para calcular, mas não podem usar-se para contar (não há fracção «unidade», nem um «sucessor», como 5 a seguir a 4). Daí ter demorado muito tempo para eles serem aceites como números. Além disso, tem a sua aritmética especial própria, o que não é muito fácil de compreender."

"
Números irracionais são números que não podem exprimir-se como quociente de dois números inteiros. Um exemplo importante é:
, produzido por operações geométricas. É o comprimento da «hipotenusa» de um triângulo com um ângulo recto e lados iguais com o comprimento de uma unidade. Esses números chamam-se «irracionais»."

in SARDAR, Ziauddin et al, Matemática para principiantes, Publicações Dom Quixote, 1ª edição, 2000

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Como ler e porquê

















"Não há forma única de ler bem, apesar de existir uma razão fundamental para ler. A informação é-nos infinitamente disponível, mas onde poderemos encontrar a sabedoria? Com sorte, podemos conhecer um professor que nos ajude, mas no fundo estamos sozinhos e seguimos em frente sem mais mediações. Ler bem é um dos prazeres que a solidão nos pode proporcionar, porque é, pelo menos [...] o prazer mais regenerador."

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Porquê ler?

"Para que os indivíduos mantenham a capacidade de formar as suas opiniões e apreciações, é importante que continuem a ler por si próprios. A forma como lêem, bem ou mal, e aquilo que lêem não pode depender apenas deles, mas a razão pela qual lêem deve ser do seu interesse e no seu próprio interesse. Podemos ler só para passar o tempo ou movidos por uma necessidade declarada, mas chegará o momento em que iremos ler lutando contra o tempo."

Capa e excertos do livro Como ler e porquê de Harold Bloom, Editorial Caminho (respectivamente Prefácio e Prólogo)

Na intimidade das palavras

3.
Amo, pelas tardes demoradas de verão, o sossego da cidade baixa, e sobretudo aquele sossego que o contraste acentua na parte que o dia mergulha em mais bulício. A Rua do Arsenal, a Rua da Alfândega, o prolongamento das ruas tristes que se alastram para leste desde que a da Alfândega cessa, toda a linha separada dos cais quedos – tudo isso me conforta de tristeza, se me insiro, por essas tardes, na solidão do seu conjunto. Vivo uma era anterior àquela em que vivo; gozo de sentir-me coevo de Cesário Verde, e tenho em mim, não outros versos como os dele, mas a substância igual à dos versos que foram dele. Por ali arrasto, até haver noite, uma sensação de vida parecida com a dessas ruas. De dia elas são cheias de um bulício que não quer dizer nada; de noite são cheias de uma falta de bulício que não quer dizer nada. Eu de dia sou nulo, e de noite sou eu. Não há diferença entre mim e as ruas para o lado da Alfândega, salvo elas serem ruas e eu ser alma, o que pode ser que nada valha, ante o que é a essência das coisas. Há um destino igual, porque é abstracto, para os homens e para as coisas – uma designação igualmente indiferente na álgebra do mistério.
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Excerto do trecho 3 d' O Livro do Desassossego, por Bernardo Soares

"BOCA DO INFERNO"

"Uma imagem vale mais do que mil palavras."
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Ilustração de João Fazenda (V800)

"CARTAS NA MESA", de Áurea Sampaio

Na sua última crónica, "O direito ao sucesso", publicada na Visão (V800), Áurea Sampaio faz uma análise do trabalho da ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, terminando este seu esboço por algo que me deixou perplexo, mas que vem de encontro às várias polémicas que se têm levantado a respeito da apregoada "facilidade dos exames".
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Excerto: "Custa a acreditar, mas os últimos acontecimentos são perturbadores. Além da reconhecida facilidade dos exames deste ano, soube-se que altos funcionários do ME deram instruções para excluir da correcção das provas os professores «que se afastam da média». Razão: os alunos «têm direito a ter sucesso»."

Uma sugestão diferente


A Geografia da Felicidade, de Eric Weiner
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Eric Weiner
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Ser feliz é...
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Confiar «A cultura determina a felicidade mais do que julgamos. Na Dinamarca (o melhor no ranking, com 8,2 pontos) e na Islândia (7,8 pontos) as pessoas sentem que estão seguras e, se caírem, podem contar com os outros.»
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Pertencer «Nos Estados Unidos pensamos que ser feliz é algo pessoal; percebi na viagem que é mais uma questão de relações e sentido de comunidade.»
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Contraditório «As medidas de progresso podem não ter uma relação directa com algo tão subjectivo como ser feliz. A democracia na Moldávia, que tem uma fraca identidade social, não é condição para se estar bem, porque se comparam aos que estão melhor do que eles.»
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Estranho «A cultura portuguesa celebra o sofrimento e a tristeza e se alguém diz que é feliz ainda é visto com suspeita; tal como os ingleses, desconfiam sempre da alegria e da felicidade que apregoam os americanos.»
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Relativo «Após ter feito este trabalho, senti-me menos infeliz! Pensar demasiado na felicidade é uma atitude narcisista que pode ser contraproducente. Os jornalistas são pensadores profissionais e isso pode ser um problema!» Luís Ribeiro
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«Fernando Pessoa, o poeta responsável pela anatomia do desassossego, não era americano, nem rico, nem lia livros de auto-ajuda. Simplesmente concluiu que «ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise». Aqui ou em qualquer lugar.»
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Retirado da revista Visão (n.º 800, 3 de Julho de 2008)

HISTÓRIA DEVIDA


De 2.ª a 6.ªfeira (17:20, 21:20 e 03:20)

Ao passear por este magnífico programa da Antena 1, deparei-me com uma história interessantíssima, intitulada "A vida escapa-se dos livros", da autoria de Fernanda Garcia.

Trata-se de uma história de deambulações ou, se quisermos, vagueações silenciosas por um universo de personagens ficcionais que interagem com a própria realidade, impregnada por uma espécie de pátina contemplativa.

Falta acrescentar que o programa "História Devida" é da responsabilidade do actor Miguel Guilherme e de Inês Fonseca Santos, que desde 2006 nos têm dado a ouvir excelentes histórias, partilhadas, em grande parte, pelos ouvintes que enviam os seus textos.

Algumas das melhores histórias são publicadas na revista Pública, ao domingo, bem como já foi editado um livro com uma compilação de histórias do programa (Histórias Devidas, da Edições ASA).

Ouça a história clicando em baixo:

"A vida escapa-se dos livros", Fernanda Garcia

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro sobre a Génese dos Heterónimos

Caixa Postal 147
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935

Excerto:


«Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia irregularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis.)
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Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro – de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira – foi em 8 de Março de 1914 – acerquei-me de uma cómoda alta, e tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente… Foi o regresso de Fernando Pessoa-Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.»
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"Entrevista a Fernando Pessoa", pelo saudoso Mário Viegas

Adolfo Casais Monteiro
















4 de Julho de 1908

Mais aqui.

terça-feira, 1 de julho de 2008

O que há de comum entre os Moonspell e Sophia de Mello Breyner?

O grupo O Bando concebeu um espectáculo (em cena até ao dia 13 de Julho) a que chamou Saga — Ópera Extravagante, no qual cruza teatro, dança, música e canto.

O referido trabalho foi idealizado a partir dos contos “Silêncio” e “Saga”, de Sophia de Mello Breyner.

No papel do Deus Pirata, encontramos um estridente Fernando Ribeiro, vocalista dos metálicos Moonspell.

Há ainda outros destaques que se podem fazer, como a participação da Banda da Armada, Rui Sidónio, líder dos Bizarra Locomotiva, e Francisco Fanhais. A encenação esteve a cargo de João Brites.

Espectáculo "Como Fazer Coisas com as Palavras", de Ricardo Araújo Pereira

Miguel A. Lopes/LUSA
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Ricardo Araújo Pereira estreou, no dia 27 de Junho, no teatro São Luiz, o espectáculo intitulado Como Fazer Coisas com as Palavras, que se vai prolongar até ao dia 5 de Julho.

A “peça” baseia-se num texto do professor inglês John Austin, que reflecte sobre a filosofia da linguagem. Toda a série de conferências sobre esta temática está reunida no livro How To Do Things With Words, de 1951.

O desafio para a realização deste trabalho foi feito por Pedro Mexia, que considerou haver «público em Portugal para humor sobre a linguagem».

Segundo a Visão (V799), o espectáculo praticamente esgotou, antes mesmo de os cartazes promocionais estarem prontos.

É extraordinário como um texto que o próprio Austin assumiu como «enfadonho» está a suscitar tamanha atenção. Mesmo que Ricardo diga que não se trata de um espectáculo humorístico — «Erudito sim. Agora se é humor…» — e reforçar que «não vai ter mesmo graça nenhuma», o facto é que só ao dizer isto já atrai risos.

Parece, também, que a perplexidade de Oxford foi enorme quando Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia lhes pediram os direitos de autor. Ricardo ironiza e refere que a cedência só foi autorizada «considerando que se tratava de uma ideia impossível de concretizar».

Como diz o “Gato”, ele próprio tem alguma dificuldade em classificar este trabalho, «É mais parecido com uma aula de filosofia».

John Langshaw Austin

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«Deve existir um procedimento reconhecido por convenção que produza um efeito aceite por convenção, procedimento esse que engloba a enunciação de determinada palavra, por parte de determinada pessoa, em determinada circunstância…»