Faça dinheiro sem esforço

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ARQUIPÉLAGO DAS PALAVRAS

.....
As palavras vagueiam num rasto de pássaro. Ziguezagueiam, libertas, por entre as copas verdes que ajardinam a nossa imaginação. Todo o entrelaçado das sílabas é um gorjeio no ocaso.
.....



Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
....
Alberto Caeiro, Poemas

...........
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
....
Alberto Caeiro, Poemas




A pronúncia de “.com” (Internet) e CD-ROM

"É aconselhável o aportuguesamento da truncação “com” através da pronúncia “cõ”. Seguindo a mesma lógica, é também melhor, no caso de CD-ROM, dizer “cêdêrrõ”, embora aqui perceba que o uso de “cêdêrrome” está tão espalhado em Portugal, que talvez seja difícil evitá-lo."
...
Carlos Rocha, in Ciberdúvidas
....
"Do mesmo modo procederemos perante Telecom. A última sílaba pronuncia-se como a preposição com. Embora provenha do truncamento (ou partição) de Telecomunicações/ção, é, para todos os efeitos de pronúncia, uma palavra normal e independente como qualquer outra."


domingo, 28 de setembro de 2008

ARQUIPÉLAGO DAS PALAVRAS

...
«(...) terroristas somos todos, depende de que ângulo nos observem.»
...

Pepetela, O Terrorista de Berkeley, Califórnia
....

Mário de Carvalho

(n. 25.09.1944)
.......
Mário Costa Martins de Carvalho nasceu no dia 25 de Setembro de 1944, em Lisboa.
...
Para saber mais, clique aqui.

sábado, 20 de setembro de 2008

Alberto Lacerda

(n. 20.09.1928 - m. 26.08.2007)
....

Carlos Alberto Portugal Correia de Lacerda nasceu na ilha de Moçambique, a 20 de Setembro de 1928.
........
.......
Hino ao Tejo
..........
...........
Ó Tejo das asas largas

Pássaro lindo que se ouve em todas as ruas de Lisboa

Ó coroa duma cidade maravilhosa

Ó manto célebre nas cortes do mundo inteiro

Faixa antiga duma cidade mourisca

Fénix astro caravela líquida

Silêncio marulhante das coisas que vão acontecer

Deslizar sem desastres sem fado sem presságio

Tu ó majestoso ó Rei ó simplicidade das coisas belíssimas

Nas tardes em que o sol te queima passo junto de ti

E chamo-te numa voz sem palavras marejada de lágrimas

Meu irmão mais velho
...........

Alberto Lacerda

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

valter hugo mãe

.....
..........
"Talvez seja um melancólico por natureza, mas quer-me parecer que a felicidade é apenas isso: o caminho para a felicidade."
......
in JL (987)
...........

José Régio

(n. 17.09.1901 - m. 22.12.1969)
.............
José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, nasceu no dia 17 de Setembro de 1901, em Vila do Conde.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Prémio D. Diniz para Manuel Alegre


Foi atribuído, ao poeta Manuel Alegre, o prémio literário Dom Diniz, da responsabilidade da Fundação Casa de Mateus, com o patrocínio, ainda, da DGLB e da Caixa Geral de Depósitos.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, procedeu à entrega, no dia 12 de Setembro, em Vila Real, do galardão, no valor de 7 500 euros.

A obra que está na base desta escolha é Doze Naus.

Prémio Juan Rulfo



O escritor António Lobo Antunes foi distinguido com o Prémio FIL de Literatura e Línguas Latinas/ Juan Rulfo, um galardão bastante prestigiado nas letras ibero-americanas.

Foi a primeira vez que este prémio foi atribuído a um português.

O galardão, no valor de 150 mil dólares, será entregue em Novembro, durante a Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México.

Luciana Stegagno Picchio

(1920-2008)

Recordar Luciana Stegagno Picchio é escutar a voz trinada que joeira toda uma literatura em língua portuguesa.

Guerra Junqueiro

(n. 15.09.1850 - m. 07.07.1923)
............
Guerra Junqueiro nasceu, provavelmente, no dia 15 de Setembro de 1850, em Freixo-de-Espada-à-Cinta.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

(n. 15.09.1765 - m. 21.12.1805)
...............
Bocage nasceu no dia 15 de Setembro de 1765.
............................
O autor aos seus versos
..........
Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
...........
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:
..........
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz e tirania:
..........
Desculpa tendes, se valeis tão pouco,
Que não pode cantar com melodia
Um peito de gemer cansado e rouco.
..........
Bocage

sábado, 13 de setembro de 2008

Exames para o pré-escolar

Andamos nós às vezes tão atormentados com o suposto nível de exigência que impomos aos nossos pupilos, fazendo-lhes ver, com insistência e clarividência, que têm de estar bem preparados para os exames nacionais ou regionais, que estes são importantes para a avaliação de conhecimentos adquiridos ao longo de ciclos de aprendizagem, que, apesar de tudo o que se vai dizendo sobre os mesmos (complicados, fáceis, dispensáveis, ...), estes continuam a estar previstos na legislação, ou andamos, noutros casos, em conversas enleadas sobre a precocidade dos exames no 1.º ciclo e a imaturidade dos alunos do 11.º ano, pois eis que alguém, muito mais descomplexado do que nós e supostamente exemplar em muitas matérias, passou a exigir que as crianças com menos de 5 anos passem num exame, antes de entrarem no ensino pré-escolar.

Segundo a notícia da Visão (V809), as crianças deverão «cumprir 13 objectivos: interagir com outras crianças, negociar, mudar de conversa, recitar o alfabeto ou escrever pequenas cartas são alguns exemplos do que os políticos ingleses esperam que façam. [...] O Governo acredita que esta é a melhor idade para elevar a fasquia, garantindo um futuro de qualidade na educação. A pressão começa cada vez mais cedo...»

Portanto, a fazer conta nesta notícia, os exames estão para ficar e, diríamos, quase que já vêm connosco.

Como é referido, «brincadeiras, sim, mas com qualidade».

"Santana, a edénica"


«Mais do que terra habitada, a povoação ridente, de traça arbitrária, rebelde às convenções urbanas, dir-se-ia um grande parque italiano, onde as áleas fossem ruas ziguezagueando entre sebes floridas. As paredes de buxo, sobre as quais gostavam de poisar, nas horas tranquilas, os melros e os papinhos, sucediam-se as das hortênsias que são as grandes decoradoras dos românticos caminhos de Santana. Exuberantes, gordas, seu quê de matronas, estendiam-se em valados, longos a perder de vista. E, aqui e ali, brilhavam ainda os «camarões», flores pequenas mas sagazes, umas atrevidas que furavam por entre os ramos dos vizinhos para fazer contrastar o seu vermelho vivo petulante, com o verde escuro do buxo e o azul desbotado das hidrângeas.

As casas quase se ocultavam no meio dessas pompas naturais. E constituíam também, entre elas, um forte contraste. As de pedra, todas vistosas, caiadinhas de branco, persianas verdes, mansões dos habitantes mais afortunados, alternavam com outras, cobertas de colmo, que sugeriam cabanas de ardorosas plagas de África. De empenas tão agudas como as das igrejas bretãs, a palha protectora quase roçava no chão as suas extremidades. Era o pitoresco que o turismo apregoava. Na frente de madeira abria-se um janelico e, ao lado, a porta que deixava entrever pobreza de todos os dias. Mas nenhuma dessas choupanas se dispensava de exibir, à sua volta, velhas latas enferrujadas, panelas rotas e caixotes cheios de plantas floridas. Em Santana, o que não era campo para enxada ou arado, era parque ou jardim.»

Ferreira de Castro, Eternidade, Guimarães Editores, p. 179
...........
Eternidade, de Ferreira de Castro, é um livro fantástico, que apresenta uma acção bastante dinâmica e atractiva, permitindo-nos conhecer as conturbadas vivências de Juvenal, um madeirense que regressa à sua terra natal após doze anos de ausência, mas com um dilacerante desgosto, que teima em o arrebatar para pensamentos mais metafísicos, as mais das vezes delapidadores de amores pacificadores.

Uma obra onde podemos destacar as descrições soberbas, extremamente precisas, e as constantes preocupações sociais, na senda do neo-realismo, do início dos anos 30, um começo de década tomado por variadíssimas agitações e mesmo revoluções, como a que em 1931 levou à efémera «República da Madeira».


Natália Correia

(n. 13.09.1923 - m. 16.03.1993)

Natália Correia nasceu no dia 13 de Setembro de 1923, na ilha de S. Miguel, arquipélago dos Açores.

........................

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:

asas no exílio dum corpo.

Os braços calhas cintilantes

para o comboio da alma.

E os olhos emigrantes

no navio da pálpebra

encalhado em renúncia ou cobardia.

Por vezes fêmea. Por vezes monja.

Conforme a noite. Conforme o dia.

Molusco. Esponja

embebida num filtro de magia.

Aranha de ouro

presa na teia dos seus ardis.

E aos pés um coração de louça

quebrado em jogos infantis.

Natália Correia

Aquilino Ribeiro

(n. 13.09.1885 - m. 27.05.1963)


Aquilino Gomes Ribeiro nasceu no dia 13 de Setembro de 1885, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu.

Para saber mais acerca deste escritor, clique aqui.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

EM BARAÇO

Estamos no início de um novo ano lectivo, o que suscita sempre grande interesse da parte da comunicação social. As razões são várias, indo desde as despesas com a educação, disfuncionalidades no sistema de ensino, incentivos governamentais, até às borbulhantes estatísticas, para todos os gostos e com as mais variadas interpretações, ao sabor dos interesses de cada posição.

Ora, a respeito de todas as considerações que já se explanaram sobre uma melhoria de resultados escolares, o que é óptimo, ficamos sempre com alguma desconfiança acerca destes repentinos sucessos. Se calhar, é a nossa própria matriz genética que nos leva à relativização das boas notícias, sobretudo em determinadas áreas. Pintam-nos a situação com cores tão negras que, quase de rajada, quando vemos resultados tão positivos num tão curto espaço temporal, tendemos para a alucinação e voltamos a ler a notícia ou esperamos por um novo serviço noticioso, para aí, sim, ouvirmos com atenção as boas novas. Também, por outro lado, estamos tão habituados a observar quadros estatísticos a partir de baixo que, às vezes, até pensamos que Portugal não foi considerado naquele estudo. Muito mau para constar?

Em mais um estudo da OCDE, parece que Portugal lá fez jus às suas mediáticas posições e apareceu em último lugar, no seio da UE, no que respeita ao tempo empregue para o ensino da sua língua.

No 2.º ciclo do ensino básico a situação é pior do que no 3.º, porque neste último somamos alguns pontos e conseguimos ultrapassar a Holanda (parece que não é só no futebol!).

Segundo o relatório da OCDE, Education at a Glance, a escrita, a leitura e a literatura ocupam apenas 15% do currículo português, ao passo que na UE a 19 e na OCDE as médias vão, imagine-se, dos 25 aos 23 por cento, respectivamente. Contudo, os nossos alunos têm, em média, um número de horas de aulas superior à OCDE, com um currículo mais diversificado, essencialmente nas artes e nas áreas curriculares não-disciplinares.

Se formos à Matemática, a situação não difere muito da língua portuguesa, embora aí os dados sejam de 12 por cento contra 16 da OCDE.

Para além de mais uns quantos périplos pela organização de trabalho dos professores (da OCDE, são os que dão mais horas de aulas e os que são obrigados a permanecer mais tempo na escola, embora tendo um horário de trabalho global inferior), também é, mais uma vez, referido que, por um lado, os docentes no topo da carreira auferem 2,5 vezes mais do que os que estão no início e, por outro, que continuamos a ter um reduzido número de alunos por turma no nosso país.

É dito ainda que conseguimos atingir uma percentagem de 44 por cento de jovens adultos a completar o secundário, o que nos permite empatar, no final da tabela, com o México. Todavia, esta percentagem demonstra uma excelente evolução ao nível da gerações mais jovens.

Onde vencemos mesmo, sem concorrência, é na frequência de doutoramentos (7,2 por cento contra a média da OCDE de 2,8), o que vem demonstrar que, em grande parte, na ausência de saídas profissionais expectantes, se opta pela continuação de estudos, investindo em formação que por vezes não é devidamente considerada no mundo do trabalho.

Ainda bem que neste início de ano lectivo vamos ouvindo boas notícias a respeito de sucessos escolares, mas espero que estes lampejos não sejam fruto do tão discutido “facilitismo” que se vai sentindo, numa pressão para a melhoria estatística, descurando a formação humana e científica.

Camilo Pessanha


Camilo Pessanha nasceu no dia 7 de Setembro de 1867 e faleceu a 1 de Março de 1926.

Maria Alberta Menéres


Maria Alberta Menéres nasceu no dia 25 de Agosto de 1930.

António Botto


António Botto nasceu no dia 17 de Agosto de 1897 e faleceu a 17 de Março de 1959.

António Nobre


António Nobre nasceu no dia 16 de Agosto de 1867 e faleceu a 18 de Março de 1900.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Raul de Carvalho

O poeta Raul de Carvalho (1920-1984) nasceu a 4 de Setembro, no Alvito (Alentejo).

INTERROGAÇÃO

Ao Lagoa Henriques

Ao Carlos Amado

Estar morto
E ainda verde,
Como as primeiras folhas
Caídas no Outono,
Será esse
O destino
Dos Poetas?

Raul de Carvalho
Poesia Instante (1984)
In Obras de Raul de Carvalho
Lisboa, Caminho, 1983

in aqui

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

António Sérgio

António Sérgio nasceu em 3 de Setembro de 1883 em Damão.

"Dedicou a sua vida à reforma educacional em Portugal. Propôs um programa de mudança da mentalidade, que passava pela adaptação escolar de textos clássicos, pela tradução de vários autores e pela luta por uma educação cívica. O objectivo era levar a uma intervenção activa, dinâmica e democrática dos cidadãos. António Sérgio tinha preocupações pedagógicas. Publicou várias obras, criou e dirigiu revistas e jornais dedicados à problemática da educação. Dos seus livros mais importantes destacam-se os oito volumes de “Ensaios”, publicados de 1920 a 1958."

in aqui

segunda-feira, 1 de setembro de 2008