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sábado, 22 de novembro de 2008

"Um Outro Amor", de Pacman


A estreia de Pacman
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Conhecemo-lo como a figura que emerge nos Da Weasel, mas há muito que Carlos Nobre Neves (nome de guerra: Pacman) é um observador atento do quotidiano e cronista assíduo. A edição de Um Outro Amor resume alguns dos textos escritos para o Correio da Manhã, nos últimos dois anos e meio. A ideia não é, contudo, nova, porque há mais de dez anos que conhece o editor da Oficina do Livro, António Lobato Faria, por intermédio do então manager dos Da Weasel e guru da noite lisboeta, Hernâni Miguel. "Reuníamo-nos nas tertúlias do Targus e, na altura, o Hernâni sugeriu que houvesse material com interesse. Mostrei uns textos ao António. Eram poemas e shortstories que já foram à vida. Era lixo mas ficou no ar a ideia", explica-nos Pacman.
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O amor pela escrita é, de resto, uma paixão que o rapper agora tornado escritor não esconde. A lírica dos Da Weasel assim o diz. Um Outro Amor concretiza o passo que faltava. "Apesar da minha preponderância ser a escrita e não a voz, gosto de escrever num outro formato que não apenas para canção. No fundo, é o mesmo amor mas num outro contexto." E assim se explica também um título que sugere uma segunda paixão.
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No livro, podem encontrar-se referências díspares. O Benfica (ainda uma outra paixão) e Barack Obama convivem pacificamente com alguns dos companheiros da criação de Pacman. Por isso, "há sempre assunto mas é preciso estar direccionado", defende. "Numa semana posso escrever sobre uma coisa fútil e na outra sobre o Barack Obama", acrescenta, não esquecendo um texto sobre "formigas na casa de banho".
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Na última segunda-feira, durante a apresentação de Um Outro Amor, António Lobato Faria referiu que Pacman é uma excepção num espaço de cronistas pouco habituado a espíritos tão jovens. O contexto não é recusado, embora a diferença se possa explicar pela "linguagem descontraída e directa que não é básica". Sem pruridos, assume que procura "não complicar", o que também se materializa numa escrita "espontânea". Pacman procura não se levar "muito a sério", embora reconheça que "nem sempre é muito fácil", especialmente quando "já há muitas pessoas a cuidar do teu bebé". E quanto à exposição, "faz sentido neste contexto específico". Tal como a homenagem à Mulher.
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Mas a brincadeira, essa, está sempre presente como ilustra uma crónica em que relata um momento de partilha com o amigo Manel Cruz. "O que tento fazer é levar as coisas com descontracção sem me armar em artista." Extensão disso mesmo, as alusões recorrentes à Margem Sul revelam "um espaço humano mais do que físico". O Pacman que se fartava de bater recordes no jogo com o mesmo nome cresceu, mas continua a fazer como Chico Buarque: "Faz duas vezes, antes de pensares."
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Retirado do jornal Diário de Notícias
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