Faça dinheiro sem esforço

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz ANO NOVO!

É sempre bom recordar outros tempos e relembrar que as crianças, fundamentalmente, merecem sempre um ano melhor.


Fim de Ano na Madeira


«O hábito não muito antigo, de despedir o ano velho e receber ao ano novo com toda a espécie de fogos de artifício, é aquele que mais chama a atenção dos forasteiros, sendo na verdade um espectáculo imponente e belo o que oferece a cidade do Funchal e seus subúrbios ao avizinhar-se a hora da meia noite do dia 31 de Dezembro, quando por toda a parte se acendem os fósforos de cores e sobem aos ares os milhares de foguetes e granadas com que os madeirenses festejam a passagem dum para outro ano, na esperança de que aquele que principia lhes traga todas as venturas que lhes negou o que vai sumir-se na voragem dos tempos. A noite de 31 de Dezembro é muito animada no Funchal, sendo a cidade percorrida por grandes ranchos que se dirigem para vários pontos dos arredores, ao som de machetes e violas, para daí contemplarem os festejos da meia noite.

É no dia 7 de Janeiro, após os Reis, que se desmancham as lapinhas e tudo volta à normalidade, mas algumas pessoas conservam os presépios armados até ao dia 15, festa de Santo Amaro, que é, na opinião de alguns, quando devem ser dadas por findas as manifestações de regozijo do Natal, tanto do agrado do bom povo madeirense.»
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Fernando Augusto da Silva, Elucidário Madeirense

Eduardo Lourenço


Eduardo Lourenço, solicitado pela revista Visão para comentar as figuras e os acontecimentos mais marcantes de 2008, seleccionados pela redacção da referida revista, referiu o seguinte acerca da contestação dos professores:


«O que eu penso é que os professores - o paradigma do cidadão útil e consciente de uma sociedade - são gente que não protesta sem ter razões muito fortes para o fazer. Uma crise nesta área tem sempre qualquer coisa de suicidário. Não são agentes puramente patológicos de uma sociedade. São sintomas de que há uma crise do tipo de educação que temos. É verdade que tem sempre que existir um mínimo de crise, porque, senão, significa que a educação não se está a pensar a si própria. Desde o Maio de 1968 que o lugar do ministro da Educação é o lugar mais terrível que existe. Mas, entretanto, houve uma alteração da imagem do professor, da sua figura, que também tem a ver com o trabalho que faz. Num destes dias, vi que 70% dos professores gostaria de abandonar o ensino, o que é uma tragédia. Não li nada mais triste do que isto. No meu tempo, ser professor era como ser actor de cinema, era qualquer coisa que justificava uma vida.»


Digno de registo!

Curiosidade linguística: a origem do termo "nó"


O vocábulo "nó", na náutica, designa uma unidade de velocidade constante equivalente a 1 milha marítima por hora, ou seja, 1852 m/h.

No livro Para Além de Capricórnio, de Peter Trickett, que nos fala da chegada dos portugueses às costas da Austrália e da Nova Zelândia, 250 anos antes do Capitão CooK, é apresentada a seguinte explicação:

«No seu ponto mais primitivo, a velocidade de um navio era avaliada deixando cair um pequeno pedaço de madeira da proa do navio e vendo quanto tempo demorava a chegar à popa. Este método foi refinado no século XVI, atando o pedaço de madeira a uma corda com nós, e contando quantos nós passavam pelos dedos do marinheiro num determinado espaço de tempo: esta acção dava a velocidade do navio em "nós".» (p. 42)

Ao consultarmos o sítio da Ciência Viva, damos conta de que coube a Bartolomeu Crescêncio a invenção da "barquinha", numa tentativa de aperfeiçoamento constante dos instrumentos náuticos.

«A barquinha, ou barca, é dos mais antigos aparelhos que se conhece destinados a medir a velocidade de um barco.

Atribui-se esta invenção ao português Bartolomeu Crescêncio, fins do séc. XV e princípios do séc. XVI. Trata-se de um instrumento destinado a medir a velocidade de um barco. Um sector de madeira preso por um cabo que, marcado com nós espaçadamente, deixava-se correr por um determinado período de tempo. Daí o nome de nó atribuído à unidade de velocidade de uma embarcação.»

Faianças Bordalo Pinheiro cessam produção no fim do mês por falta de encomendas




23.12.2008
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A maior cerâmica caldense – as Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, Lda – pediu aos trabalhadores para suspenderem o seu contrato de trabalho por já não ter “uma única encomenda para o mês de Janeiro”, segundo o seu administrador, Jorge Serrano.
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A empresa vai cessar a produção da fábrica que possui na zona industrial das Caldas da Rainha e que dá emprego a 150 trabalhadores, mantendo por enquanto a funcionar o espaço fabril secular que já vem do tempo do artista Rafael Bordalo Pinheiro, na zona histórica da cidade. Aqui, porém, só trabalham 17 pessoas e o seu administrador diz que os encargos são tantos que também esta parte da empresa não deverá sobreviver ao mês de Janeiro.
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Já em Junho passado, a Secla, a maior indústria cerâmica das Caldas da Rainha, tinha também fechado a sua fábrica, que contava com 260 trabalhadores. As Faianças Bordalo Pinheiro são a última indústria deste sector, que ainda sobrevivia, e, curiosamente, foi também a primeira, dado que a empresa é herdeira da fábrica criada em 1884 pelo artista que lhe dá o nome.
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Em Maio deste ano, perante uma primeira ameaça de insolvência, a câmara local interveio e comprou por 900 mil euros uma parte do edifício histórico onde Bordalo trabalhou. O objectivo era preservar a memória de uma figura intimamente ligada às Caldas – e da qual se comemorou este ano o centenário da sua morte –, bem como o património industrial da fábrica do século XIX, na qual a autarquia pretende criar ateliers cerâmicos.
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Este balão de oxigénio só aguentou a empresa por mais sete meses. Jorge Serrano diz que só falta receber 200 mil euros por aquela venda, mas que estes já têm destino para pagar dívidas à Segurança Social e a outros credores. O empresário diz que não há muito mais a fazer, tendo em conta que vivia apenas de um cliente americano e outro alemão para os quais já não há encomendas.
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Além do edifício histórico, a empresa já vendeu praticamente todos os seus activos, que incluíam uma loja no centro da cidade e os serviços sociais da fábrica na zona industrial. Mas as receitas foram insuficientes para fazer face a um passivo que, em Maio, era de 5 milhões de euros. Nos últimos três anos a empresa teve sempre prejuízos que - sem contar 2008 - atingiram 1,7 milhões de euros.
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Em Janeiro, se ninguém comprar o que resta da herança física de Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha, a fábrica encerra.
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Ontem, os vereadores da oposição (PS) questionaram o executivo camarário sobre a forma como a câmara está a “acompanhar as evoluções negativas ao nível da sustentabilidade do projecto e da manutenção dos postos de trabalho” daquela fábrica, depois de terem sublinhado a “singularidade da aquisição em apoio de uma empresa que é uma referência histórica”.
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Carlos Cipriano, in Público

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Em 1875, Rafael Bordalo Pinheiro cria a figura do “Zé Povinho”.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Uma vida em película cinematográfica


Manoel de Oliveira


1931 - DOURO, FAINA FLUVIAL
1932 - HULHA BRANCA
1932 - ESTÁTUAS DE LISBOA
1937 - OS ÚLTIMOS TEMPORAIS
1938 - MIRAMAR, PRAIA DAS ROSAS
1938 - PORTUGAL JÁ FAZ AUTOMÓVEIS / JÁ SE FABRICAM AUTOMÓVEIS EM PORTUGAL
1941 - FAMALICÃO
1942 - ANIKI-BOBÓ
1956 - O PINTOR E A CIDADE
1958 - O CORAÇÃO
1959 - O PÃO
1962 - ACTO DA PRIMAVERA
1963 - A CAÇA
1964 - VILAVERDINHO, UMA ALDEIA TRANSMONTANA
1965 - AS PINTURAS DO MEU IRMÃO JÚLIO
1965-2008 - A VIDA E A MORTE, Romance de Vila do Conde
1972 - O PASSADO E O PRESENTE
1974 - BENILDE OU A VIRGEM MÃE
1979 - AMOR DE PERDIÇÃO
1981 - FRANCISCA
1982 - VISITA - MEMÓRIAS E CONFISSÕES
1983 - LISBOA CULTURAL
1983 - NICE - A PROPOS DE JEAN VIGO
1985 - LE SOULIER DE SATIN (O SAPATO DE CETIM)
1985 - SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ESCULTURA EM PEDRA
1986 - MON CAS (O MEU CASO)
1987 - A PROPÓSITO DA BANDEIRA NACIONAL
1988 - OS CANIBAIS
1990 -NON, OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR
1991 - A DIVINA COMÉDIA
1992 - O DIA DO DESESPERO
1993 - VALE ABRAÃO
1994 - A CAIXA
1995 - O CONVENTO
1996 - PARTY
1996 - EN UNE POIGNÉE DE MAINS AMIES
1997 - VIAGEM AO PRINCÍPIO DO MUNDO
1998 - INQUIETUDE
1999 - LA LETTRE (A CARTA)
2000 - PALAVRA E UTOPIA
2001 - JE RENTRE À LA MAISON (EU VOU PARA CASA)
2001 - PORTO DA MINHA INFÂNCIA
2002 - MOMENTO
2002 - O PRINCÍPIO DA INCERTEZA
2003 - UM FILME FALADO
2004 - O QUINTO IMPÉRIO - ONTEM COMO HOJE
2005 - DO VISÍVEL AO INVISÍVEL
2005 - ESPELHO MÁGICO
2006 - BELLE TOUJOURS
2006 - O IMPROVÁVEL NÃO É IMPOSSÍVEL
2007 - REENCONTRE UNIQUE
2007 - CRISTÓVÃO COLOMBO - O ENIGMA
2009 - SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA
2009 - O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA


"PALAVRA E UTOPIA"

Retrato biográfico do Padre António Vieira a partir das suas cartas e outros textos.

Fonte: Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 996

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS!

Miguel Torga, "Natal"

Natal

Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, actual,
Ergueu a mão e disse: — É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quezilento,
Redemoinha e sai:

À volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?


Miguel Torga

André Sardet

"Adivinha O Quanto Gosto De Ti"


Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever.

Sinto as pernas a tremer, quando sorris p'ra mim, quando deixo de te ver.

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.

Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.

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Gosto de ti, desde aqui até à lua.

Gosto de ti, desde a Lua até aqui.

Gosto de ti, simplesmente porque gosto.

E é tão bom viver assim.

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Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como hei-de te contar.

Até já fiz um avião, com um papel azul, mas voou da minha mão.

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.

Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.

.

Gosto de ti, desde aqui até à lua.

Gosto de ti, desde a Lua até aqui.

Gosto de ti, simplesmente porque gosto.

E é tão bom viver assim.

.

Quantas vezes eu parei à tua porta.

Quantas vezes nem olhaste para mim.

Quantas vezes eu pedi que adivinhasses.

Quanto é que eu gosto de ti.

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Gosto de ti, desde aqui até à lua.

Gosto de ti, desde a Lua até aqui.

Gosto de ti, simplesmente porque gosto.

E é tão bom viver assim.

O Natal na Madeira

«As festas do Natal duram na Madeira desde o dia em que se comemora o nascimento de Jesus até ao dia de Reis, havendo durante este tempo muitos folguedos, descantes e outras manifestações de regozijo, que poetizam esta bela quadra do ano. As refeições são melhoradas, e rara é a casa onde não aparecem a carne-de-vinho-e-alhos e os bolos de mel, assim como outras iguarias que são desconhecidas durante o resto do ano. Os templos enchem-se de povo por ocasião da missa do galo, em que a imagem do Deus-Menino é muitas vezes dada a beijar, e para completar as festas e solenidades do Natal, há ainda os presépios ou lapinhas, alguns deles verdadeiramente notáveis pela riqueza e variedade de seus adornos. Não há muitos anos, era uso nalgumas freguesias da Madeira «pensar» a imagem do Deus-Menino na noite do Natal, isto é, levá-la e vesti-la sobre um estrado colocado dentro da igreja, sendo este serviço prestado sempre por uma rapariga, mas tal uso cremos que desapareceu, assim como um outro que consistia em oferecer ao mesmo Deus-Menino, na referida noite, várias produções da terra. Rapazes e raparigas, vestidos com trajos antigos, conduziam piedosamente ao templo as suas ofertas, anunciando em seus cantares, por vezes muito harmoniosos, a quem eram destinadas as mesmas ofertas.
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O velho hábito de consagrar todo o dia de Natal à vida e festas recatadas da família tende a desaparecer, e as ruas da cidade, desertas outrora naquele dia, apresentam-se hoje quase tão movimentadas como na primeira, segunda e terceira oitavas. É, no entretanto, durante estes três dias, que o povo continua a santificar, não obstante ter sido dispensado disso pela Igreja, que principalmente se realizam as visitas e os cumprimentos de boas festas, os quais entre o povo rude são acompanhados quase sempre de abundantes libações, descantes e outros folguedos, que se estendem até horas mortas da noite. Desde a véspera do Natal até à Epifania, estrugem por toda a parte as bombas e busca-pés, com grave risco não só dos transeuntes, mas também daqueles que os atiram, muitos dos quais têm sido vítimas das suas loucuras e imprudências.»
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Fernando Augusto da Silva, Elucidário Madeirense

Arquipélago das Palavras

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«O menino é o pai do homem.»
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Machado de Assis
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«O silêncio é o som do tempo que não passa.»
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«[A morte] não é a obscuridade que nos disseram, mas apenas esta imbecilidade de caminhar para sempre no fundo do mar, acreditando nos sonhos.»
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Abílio Estévez
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

“Parquímetro” ou “parcómetro”?


Há tempos, assolou-me esta dúvida: “Será que ‘parcómetro’ tem o mesmo significado de ‘parquímetro’?”

Parece que sim, pois, ao consultar o Dicionário da Língua Portuguesa 2009, da Porto Editora, a entrada “parcómetro” remete para “parquímetro”, «aparelho que serve para medir o tempo de estacionamento de um veículo automóvel em parque público ou em certas ruas ou praças, e, consequentemente, determina a quantia a pagar (De parque + -metro)».

Segundo o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, a palavra mais correcta é “parquímetro” (“parque”) e não “parcómetro” (“parco”).

"Pais natal"?

Decididamente, a televisão não pode ser encarada como directriz no que concerne à utilização da língua portuguesa, apesar de, para muitos, ser vista como a transmissora da norma linguística.

Por vezes, depende muito do rigor dos locutores, que, ao prepararem os trabalhos, deveriam esclarecer-se, partindo do princípio de que se aperceberam de alguma incongruência.

Assim, não se percebe que surja a expressão "pais natal", quando o segundo vocábulo é um adjectivo, que tem de concordar com o nome "pais". Neste caso aqui, estamo-nos a referir a todas aquelas pessoas que se vestem como o "Pai Natal", daí "pais natais". Se, por outro lado, nos estivermos a referir ao "Pai Natal" da lenda de S. Nicolau, só podemos utilizar a expressão no singular, uma vez que só existe um "Pai Natal".

Já agora, o plural de "bolo-rei" é "bolos-reis", pois segue a regra definida para estes casos, isto é, quando temos uma palavra composta por dois nomes, ambos vão para o plural (regra geral).

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Frigidário

Tenho as mãos enregeladas. Enquanto penso, esfrego-as, aproveitando o intervalo de inacção das falangetas. As pontas dos pés, também, quase que não as sinto. Parece que plantei os pés sobre a geada.

O tempo, realmente, tem feito jus ao mês e à quadra natalícia. Se calhar, noutros anos, habituámo-nos mal. Pudemos fruir, até mais tarde, de alguma complacência do frio, entretido por outras latitudes mais a norte. Para nosso desconsolo, este ano enredou-nos nesta aragem cortante e gélida, que nos faz desejar o cheiro do pinheiro seco a crepitar no borralho. Lá temos de sair à rua com o frio, como quem vai, contrafeito, passear o cachorro às 11 horas da noite, a fim de o quadrúpede se poder aliviar do cocozinho acumulado desde a última visita ao canteiro da frente, que, outrora, já teve relva e margaridas, mas que agora tem resquícios amarelados, quebradiços, secos daquela abundância de ácidos e de gases exalantes.

Não quero atirar a frio, agora, uma história que me ocorreu, mas, a respeito de quadrúpedes, lembrei-me de uma colega que dizia que tinha, em casa, dois gatos, um bípede e outro, já estão a ver, quadrúpede.

De cabeça fria direi que, certamente, o ronronar lá terá vantagens sobre o ressonar, bem como a companhia sobre a frigidez, se for o caso. A bem dizer, para ludibriar este frio de rachar, como dá gosto amimar um gatinho felpudo, ou então tê-lo bem enroscadinho junto aos pés regelados.

Sei que vou malhar em ferro frio, mas, ao menos, já que temos o frio, tenhamos, também, a neve, para lembrar que o Pai Natal anda por aí no seu trenó, a deixar cair falripas de neve da Lapónia.

Quanto a mim, só me resta ir rapar o frio para outro lado, que já se me tolhem as peles friolentas.

Ainda bem que ouço, num afago retemperador, as palavras tépidas do colega de Filosofia: «Não existe frio, existe menos calor». Ah! Dito assim, sem frieza, já sinto menos frio ou, se calhar, mais calor.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"Férias extra"?

Durante este fim-de-semana, ouvi, da parte de um jornalista, a expressão "férias extra". Tudo isto, se bem me lembro, a propósito, ainda, das faltas dos deputados da Assembleia da República a uma votação no dia 5 de Dezembro.
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Como já não é a primeira vez que surge esta situação, seja na comunicação social ou noutros locais, decidi, de uma vez por todas, esclarecer este assunto, para que não andemos, muitas das vezes, a falar sem termos consciência das regras. Por vezes, até, achamos que nos soa melhor de determinada forma, mas não sabemos explicar as razões de tal uso.
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Na expressão "férias extra", a palavra "extra" é um adjectivo, pelo que concorda com o nome que caracteriza. Portanto, "férias extras", assim como "aulas extras", "horas extras", "edições extras", etc.

POR QUE ou PORQUE?

Escrever em duas palavras ou numa só depende da natureza gramatical dos elementos em presença.

POR QUE escreve-se em duas palavras sempre que por é uma preposição. Assim, deverá escrever-se por que nos casos em que:

a) se emprega a preposição por com o pronome relativo que: Embora não tão cedo como teria gostado, ele realizou o sonho por que (pelo qual) sempre lutou;

b) se utiliza a preposição por com o pronome interrogativo adjunto que: Poderás explicar-me por que (por qual) motivo me chegas a casa só a estas horas?

Atente-se que, neste caso, o pronome que surge sempre junto de um nome ao qual está ligado pelo sentido.

PORQUE deverá escrever-se numa única palavra sempre que:

a) se trate de uma conjunção subordinativa causal:

Compro sempre os bolos nesta pastelaria porque me sabem aos bolos da minha infância;

b) se trate de um advérbio interrogativo, surgindo sempre ligado a um verbo. Como advérbio interrogativo, poderemos encontrá-lo:

- em orações interrogativas directas: Porque não reclamaste?

- em orações interrogativas indirectas: A mãe só queria que ele lhe explicasse porque deixara o carro destravado numa rampa.

- depois do advérbio eis em frases como: Eis porque havemos de ser tolerantes.

- em títulos do tipo: Porque me tornei vegetariano.

Dália Dias, Júlia Cordas e Margarida Mouta, Em Português? Claro!, Porto Editora, p. 120

domingo, 14 de dezembro de 2008

"Mandado" e "mandato"

A utilização destas duas palavras gera, por vezes, alguma confusão, pela proximidade gráfica e fonética.
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Assim, convém demarcar bem os seus significados.
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Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa 2009, da Porto Editora, "mandado" é uma «determinação escrita emanada de autoridade judicial ou administrativa». Temos, por exemplo, o "mandado de captura", ou seja, uma "ordem de prisão".
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No que respeita à palavra "mandato", a maior parte das vezes é utilizada com um enquadramento político, significando, desta forma, «poder concedido por meio de votação a uma pessoa ou a um partido para representar os seus interesses durante determinado período». Temos, neste caso, os "mandatos parlamentares".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

As origens da Lapinha



«É com este termo que na Madeira se designam os «presépios», que desde séculos tão generalizados estão entre nós. Julgamo-lo uma palavra peculiar deste arquipélago. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. É possível que em outros tempos conservassem essa analogia ou semelhança, mas, ao presente e na generalidade, as «lapinhas» madeirenses são armadas sôbre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. Em todos os degraus da escada e em torno dela estão dispostos os «pastores» e vários objectos de ornato, por vezes bem estranhos e sem próxima afinidade com o resto do presépio. Em obediência às condições do meio, terão algumas características próprias, como sejam as ornamentações com os ramos do arbusto «alegra-campo» e dos fetos «cabrinhas», que lhes imprimem uma feição pitoresca e alegre. Terão uma certa originalidade os chamados «pastores», isto é, pequenas figuras de barro de grosseiro fabrico local, que quási sempre não representam pastores ou zagais mas indivíduos das várias camadas sociais.

Ainda são muito vulgares as «lapinhas» com as chamadas «rochinhas», consistindo estas no simulacro de um pequeno trecho de terreno muito acidentado, feito de «socas» de canavieira e que geralmente conserva na base uma pequena «furna» representando o presépio em minúsculas figuras de barro.

Existiam, mas hoje são já muito raras, estas mesmas «rochas», talhadas em maiores proporções e em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações etc., embora sem grande harmonia no conjunto, mas oferecendo um certo e original pitoresco.»
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Fernando Augusto da Silva, Elucidário Madeirense



O presépio tradicional algarvio deverá estar na origem da "lapinha" em escada.
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«A região da Provença (sul de França) foi o grande centro de irradiação do presépio com raízes medievais. No Natal, surge o Menino Jesus glorioso, triunfante, o Salvador, o Senhor e Rei do mundo.

Este presépio foi levado pelos portugueses para a Ilha da Madeira, para os Açores e para o Brasil. Em Portugal, ainda podemos ver este presépio no Baixo Alentejo e no Algarve.

O presépio tradicional algarvio conserva as raízes medievais. É um trono ou altar armado em escadaria. O Menino Jesus está de pé, no cimo do trono. À volta coloca-se verdura, ramos de laranjeira. Na escadaria colocam-se laranjas e searinhas germinadas.

Cerca de 9 dias antes do Natal as famílias preparavam-se para "armar o Presépio" ou "armar o Menino", geralmente em cima de uma cómoda na entrada da casa. Lavava-se a casa e colocava-se uma toalha branca com rendas sobre a dita cómoda, sobre a qual se armava um altar em escadaria, com 3 ou mais degraus, também eles cobertos por toalhas bordadas ou rendas. No topo do trono era colocado o Menino.

Para tornar a decoração mais rica, eram adicionadas laranjas, com a respectiva rama, e searinhas de trigo. A colocação destes elementos tinha também o propósito de que o Menino abençoasse as colheitas do próximo ano.

No início da década de oitenta o Pe. José da Cunha Duarte, pároco de São Brás de Alportel iniciou a recolha das imagens feitas pelos pinta-santos algarvios. Na Igreja Matriz arma-se o presépio tradicional, em escadaria, com laranjas e searinhas e o Menino em cima do trono. A igreja também se reveste de panos como foi tradição nos séculos XVII e XIX.»

Retirado de http://www.agencia.ecclesia.pt

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"Singularidades" de um realizador centenário



Manoel de Oliveira comemora, hoje, os seus cem anos de vida. O realizador, há mais tempo no activo, nasceu no dia 11 de Dezembro de 1908.
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O mesmo afirmou, quando interpelado sobre o que iria fazer neste dia tão especial, que estaria, obviamente, «atrás das câmaras».
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Actualmente, Manoel de Oliveira está a realizar mais um filme, baseado no conto "Singularidades de Uma Rapariga Loura", de Eça de Queirós.
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«E ao outro dia Macário partiu.
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Conheceu as viagens trabalhosas nos mares inimigos, o enjoo monótono num beliche abafado, os duros sóis das colónias, a brutalidade tirânica dos fazendeiros ricos, o peso dos fardos humilhantes, as dilacerações da ausência, as viagens ao interior das terras negras e a melancolia das caravanas que costeiam por violentas noites, durante dias e dias, os rios tranquilos, donde se exala a morte.
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Voltou.
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E logo nessa tarde a viu a ela, Luísa, clara, fresca, repousada, serena, encostada ao peitoril da janela, com a sua ventarola chinesa.»
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Eça de Queirós, "Singularidades de Uma Rapariga Loura", in Contos, Edição «Livros do Brasil», pp. 26-27

Dez anos depois do Nobel, um Saramago sempre de paixões


«Visão cosmogónica de um escritor de certa idade que não se resigna a não saber onde vive: e se o universo não fosse mais do que um corpo, a nossa galáxia uma célula, o sistema solar um átomo, o Sol o núcleo dele, e a Terra um dos seus electrões? Que seres seriam esses que viveriam em cima de um electrão?»

José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário III, Caminho, p. 49

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«O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia, Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa.»

Excerto do discurso de José Saramago, pronunciado na Academia Sueca em 7 de Dezembro de 1998

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Curiosidades também linguísticas


Aquando da leitura do livro Terra Java, de João Lopes Marques, pude observar a origem da palavra ketchup, tão familiarizada entre nós.

Segundo João Lopes Marques, esta palavra é uma «corruptela» do chinês ke-tsiap, «o molho para peixe que os portugueses quinhentistas provaram nos portos de Malaca e Penang, traficando-o para o Ocidente» (p. 116).

Uma outra curiosidade não menos interessante pode-se observar na palavra portuguesa "chunga" ("de fraca qualidade", "ordinário", "reles"), que tem a sua origem no vocábulo shunga, «livro de imagens eróticas que as noivas japonesas incluem no enxoval» (p. 172).

Numa outra passagem da obra, aparece-nos James Maria Magra, um dos marinheiros do Endeavour, que se dirige aos companheiros a propósito de supostas injustiças praticadas pelo Captain Cook:

«- Não podemos cruzar os braços, acusa-nos de abusarmos do grogue! Prepara-se para descontar três salários a cada homem... Até Plymouth só teremos cerveja!

Pior ainda:

- E quem tiver a doença será abandonado já no próximo porto!»

Ora, esta «doença» é a sífilis, que, citando as palavras do autor, «durante séculos será conhecida no Pacífico Sul como a 'doença dos portugueses'» (p. 195).

Já agora, o HM Bark Endeavour aporta no «Fonchiale» a 12 de Setembro de 1768, menos de um mês depois de ter zarpado de Plymouth. A finalidade desta paragem, antes de se dirigirem para o Rio de Janeiro, destinava-se, entre outros aspectos, ao carregamento de víveres, não faltando à marinhagem, assim, os «álcoois locais» (p. 190).




Sinopse:

Uma viagem de núpcias leva um homem ao encontro do seu passado e dos segredos que envolveram a descoberta da Austrália.

Manel e Cindy Pereira realizam o sonho de ir à Austrália em lua-de-mel. No promontório de Point Hicks, primeiro local da ilha-continente avistado pelo comandante James Cook em 1770, Manel descobre um apelido em português, o seu próprio apelido, que, apesar da veemente oposição da esposa, o fará embarcar numa intrigante e ao mesmo tempo sensacional viagem ao passado.

Incentivado por Ming, a sua nova namorada chinesa de Melbourne, e pelos patrícios do bairro português de Sidney, Manel decide enfrentar o que crê ser uma escandalosa falsificação histórica que retira ao nobre e valente povo lusitano a primazia na chegada ao longínquo continente.

Baseado nas mais recentes descobertas históricas, Terra Java constitui não apenas uma original história de amor, como ajuda a compreender o papel dos navegadores portugueses na descoberta da Austrália. Um romance arrebatador, onde a aventura e a magia dos lugares reconstroem a nossa história e nos leva ao caminho da reconciliação com o amor.
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Sinopse retirada de http://www.wook.pt

domingo, 7 de dezembro de 2008

Alçada Baptista 1927-2008


António Alçada Baptista morreu hoje aos 81 anos. Prestamos aqui a nossa homenagem a um grande jornalista, cronista, escritor e defensor da liberdade.

Para algumas informações sobre Alçada Baptista poderá consultar os seguintes links (entre outros):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Al%C3%A7ada_Baptista

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1352376

http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=13

sábado, 6 de dezembro de 2008

Crónica temperada

“Quando eu era mais catraio”

Sentados numa das mesas do bar, íamos deglutindo o caldo verde, por entre um ou outro momento de apuramento gustativo, quando calhava vir, enredada nos fios de couve, uma lasca de chouriço vermelho. A sopa, como é habitual, requer cuidados redobrados com a língua, não se vá ela escaldar naquela cálida rescendência. Porém, naquele dia, estava a saber bem encostar os lábios, frouxamente, à colher e aspirar, num misto de sopro e sucção, o caldo fragrante. O dia estava frio e os casacos não se despiram, por isso, eram corpos quase inertes os que se abandonavam nos assentos gélidos. Se uma mão dava quentura ao corpo, a outra aproveitava o ócio para se abrigar na algibeira, embora, por vezes, lhe coubesse alguma partilha, contrafeita, de tarefas: ora o alçar do papo-seco, ora o “limpa-beiças”, como dirá alguém.

Por entre este descontraído manejo tilintante, outro retinido se elevava por todo o espaço.

“Parece que o Banco Central Europeu baixou as taxas de referência”.

“Já viste que a Caixa Geral de Depósitos vai emprestar não sei quantos milhões ao BPP?”

“Olha lá, é Banco Português Privado ou Banco Privado Português?”

“É Banco Privado Português”.

“Ah, pois é!”

O jornalista lá ia passando em revista as notícias. Nós, com as cabeças alçadas, lá tentávamos seguir um ou outro rodapé.

“Sabem, quando eu era mais catraio fiquei impressionado quando vi o ford do Oliveira e Costa estacionado em Mataduços. Era um grande carro naquela altura, nos anos oitenta. Poucos tinham um carro daquele calibre e, ainda por cima, ali estacionado, praticamente abandonado junto a uma oficina de pintura”.

“Quando eras mais catraio? Quer dizer que ainda és catraio!?”

Naquela altura, lá queria saber das pistas deslizantes da língua portuguesa. Saboreava, satisfeito, o caldo verde, abocanhava uma sande de frango e, sobretudo, imaginava, como dizia Fernando Pessoa, o «outrora agora», as brincadeiras de uma meninice que passou, mas ficou em fragmentos temporais.

A expressão saiu-me, talvez desvirtuada pelos respingos de caldo, com o sentido de “Quando eu era mais pequeno”, “Quando eu era criança”. Aliás, há mesmo a expressão “os mais pequenos”, ou seja, “as crianças”.

Ao dizer-se “Quando eu era mais pequeno” quer-se remeter para uma outra idade, para o passado. Não sei bem porquê, mas se dissermos “Quando eu era pequeno” deixa de ter o sentido de criança e parece que remete para a ideia de altura, como numa correcção mais erudita teríamos de dizer “Quando eu era menor”. Pode estar correcto o comparativo de superioridade, mas neste contexto não faz sentido.

Penso que quando se diz “Quando eu era mais pequeno” se quer dizer “Quando eu era criança” e não literalmente que se é criança, embora já menos. Mesmo o advérbio “mais”, para além de poder significar “em maior quantidade”, também pode indicar “antes”.

Assim, a expressão “Quando eu era mais catraio”, variante de “Quando eu era mais pequeno”, teve a intenção de marcar uma diferença temporal, como se dissesse “Quando eu era, outrora, catraio”. Claro que existe uma certa redundância em relação ao pretérito, mas essa mesma redundância permite reforçar a distância.

A língua é extraordinária. Por mais que nos digam que é repetitivo dizer “juntamente com” ou “há anos atrás”, lá estamos nós a ajeitar o “com” ou a pôr o “atrás”. Se não o fizermos, parece que as expressões nos surgem sem identidade.

Tudo isto num almoço. É verdade!

Agora que o café está tomado, temos de retornar à lida. Retemperámos as forças e a disposição para mais uma tarde de trabalho. Ficou para trás a alegre e desconcertada cavaqueira, que, mais do que conclusões, deu azo a umas quantas divagações pela língua. É bom quando não perdemos tempo com os amigos, mas empregamos o tempo com os amigos.

Apetece-me terminar com Alberto Caeiro, talvez por uma certa nostalgia que me tomou, agora que me iluminam as luzes tremeluzentes da árvore de Natal.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"Ele chegou à uma hora da tarde" ou "Ele chegou há uma hora da tarde"?

A primeira frase, “Ele chegou à uma hora da tarde” (a uma determinada hora, numa hora específica, como poderia ser “Ele chegou às duas horas da tarde”), é a que está correcta. A outra, “Ele chegou há uma hora da tarde”, não está correcta. Para ter sentido, teria de estar “Ele chegou há uma hora [atrás]”, ou seja, faz uma hora que chegou (chegou há 60 minutos).
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A pedido de João Francisco, Angola.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"A Viagem do Elefante", de José Saramago


«Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas. Felizmente, graças à inesgotável generosidade da imaginação, cá vamos suprindo as faltas, preenchendo as lacunas o melhor que se pode, rompendo passagens em becos sem saída e que sem saída irão continuar, inventando chaves para abrir portas órfãs de fechadura ou que nunca a tiveram.» (A Viagem do Elefante, p. 223)

Sugestão matemática

(imagem)

Para os curiosos e estudiosos da linguagem matemática, aqui fica uma sugestão de uma página dedicada a esta disciplina (basta clicar na imagem).

Nesta página podem aceder a conteúdos e a exercícios / actividades.