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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desafio linguístico - Subclasses dos determinantes (proposta de resposta)

Proposta de resposta ao desafio linguístico lançado no dia 8 de Novembro:

a) Quantas pessoas chegaram? --------------------------- Determinante interrogativo.

b) O cão, cujo dono bem conheces, ganhou um prémio na exposição canina. ----- Determinante relativo.

c) Certo dia chegaram alguns turistas. -------------------- Determinantes indefinidos.

d) Que livro te agradou mais? ----------------------------- Determinante interrogativo.

e) Tinha anéis nos cinco dedos da mão. ------------------- Determinante numeral cardinal.

Proposta de resposta do desafio linguístico de dia 7 de Novembro

O verbo "pensar", no desafio de 7 de Novembro, variou em pessoa (1.ª, 3.ª, 2.ª, todas do plural).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ary dos Santos - 25 anos - Rua da Saudade


1937 - 1984
Poeta português, natural de Lisboa.

Rua da saudade, álbum que reúne as vozes de Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti, homenageia Ary dos Santos.

Aqui fica Canção de Madrugar, Susana Félix:


De linho te vesti

De nardos te enfeitei

Amor que nunca vi

Mas sei



Sei dos teus olhos acesos na noite

Sinais de bem despertar

Sei dos teus braços abertos a todos

Que morrem devagar

Sei meu amor inventado um dia

Teu corpo há-de acender

Uuma fogueira de sol e de fúria

Que nos verá nascer



Irei beber em ti

O vinho que pisei

O fel do que sofri e dei

Dei do meu corpo chicote de força

Rasei meus olhos com mágoa

Dei do meu sangue uma espada de raiva

E uma lança de mágoa

Dei do meu sonho uma corda de insónias

Cravei meus braços com setas

Descobri rosas, alarguei cidades

E construí poetas



E nunca te encontrei

Na estrada do que fiz

Amor que não logrei

Mas quis



Sei meu amor inventado que um dia

Teu corpo há-de acender

Uma fogueira de sol e de fúria

Que nos verá nascer

Então:



Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,

Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,

Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,

Nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem terras,

Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,

Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,

Nem terras, nem ferros, nem farpas, nem farsas

Nem MAL

domingo, 8 de novembro de 2009

Desafio linguístico - Subclasses dos determinantes

Identifique a subclasse dos determinantes destacados nas seguintes frases:

a) Quantas pessoas chegaram?

b) O cão, cujo dono bem conheces, ganhou um prémio na exposição canina.

c) Certo dia chegaram alguns turistas.

d) Que livro te agradou mais?

e) Tinha anéis nos cinco dedos da mão.

Obs.: a solução será apresentada num dos próximos dias.

sábado, 7 de novembro de 2009

Nova rubrica no Dizedores - Dasafio linguístico

A partir de hoje, e sempre que possível, iremos apresentar algumas dúvidas em jeito de desafio aos nossos visitantes.

O primeiro deles trata-se do seguinte, inspirado na Gramática pedagógica e cultural da LÍNGUA PORTUGUESA, de Álvaro Gomes, Edições Flumen/Porto Editora, página 185:
..........
Dadas as seguintes formas verbais, que tipo de variação sofreu, nestes casos, o verbo "pensar"?

pensamos pensam pensais

a) Número.
b) Pessoa.
c) Tempo.
..........
Podem deixar as vossas respostas no comentário a esta mensagem.

Concordância verbal - caso particular

Um dos nossos consulentes mais assíduos colocou-nos algumas dúvidas, entre as quais:
---
«1. Atente-se para a seguinte frase: "O termo da comissão de serviço ou a cessação da comissão de serviço por iniciativa do trabalhador nomeado determina o "regresso às funções e posto de trabalho que detinha...".
a) - Temos um fragmento fraseológico onde aparece a conjunção disjuntiva OU. Estamos pois perante uma ALTERNATIVA. A minha dúvida vai para o predicado DETERMINA: visto termos dois sujeitos, o predicado vai para o singular ou para o plural? DETERMINA ou DETERMINAM?
b) - Quanto à pontuação não seria melhor assim: "O termo da comissão de serviço ou a cessação da comissão de serviço, por iniciativa do trabalhador nomeado, determina o "regresso às funções e posto de trabalho que detinha....". Portanto, duas vírgulas. Qual o melhor caminho a seguir?»
---

Após algum estudo e pesquisa, aquilo que podemos indicar, no caso de a), é que como se trata de um caso particular de concordância com sujeitos ligados por ou, também de alternativa, poderá aceitar-se como certo o que Celso Cunha e Lindley Cintra indicam na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo:

[predicado no singular], "se o facto expresso pelo verbo só pode ser atribuído a um dos sujeitos, isto é, se há ideia de alternativa"

No exemplo do nosso consulente, poderemos imaginar que se trata de dois sujeitos, sendo que o "termo da comissão de serviço" parte de outrém que não o trabalhador e que a "cessação da comissão de serviço" seja, tal como se pode ler, por iniciativa do trabalhador.

Quanto à dúvida em b), entendo que se trata de iniciativas distintas, "termo" da responsabilidade de outrém e "cessação" da iniciativa do trabalhador. Por isso, a proposta de vírgulas daria a ideia do "termo" e da "cessação" serem de iniciativa do mesmo sujeito: o trabalhador. A minha proposta é manter a pontuação inicial, sem as vírgulas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Estoril Film Festival '09

Festival com bons filmes. Alguns nomes ilustres no júri: David Byrne, Cindy Sherman, Alexandre Desplat e Rui Horta. Prémio de 20 mil euros para o vencedor. Homenagens a David Cronenberg e a Juliette Binoche.

Para mais informações visite: http://www.estoril-filmfestival.com/.

Na cozinha!

Albardar: envolver um alimento em polme [massa pouco consistente, "papa"] para depois ser frito.

Alourar: tornar louro ao fogo ou assado.

Arrepiar: esfregar um peixe com sal no sentido inverso ao das escamas, a fim de o temperar e enrijar.

Dourar: untar com uma pasta de ovo batido com a ajuda de um pincel.

Estufar: Cozer um alimento em lume brando com gordura e com os sucos do próprio alimento, num recipiente hermeticamente fechado.

Lardear: introduzir, com a ajuda de uma agulha ou faca fina, tiras de toucinho ou de qualquer outro alimento no interior de uma peça de carne.

Trabalhar: bater uma composição com uma colher, à mão ou à máquina.


in: Dicionário MAIS, Da Ideia às Palavras, Lisboa Editora [adaptação portuguesa de Le Dictionaire Plus]

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Telefona se precisares de mim, de Raymond Carver

endereço da imagem aqui

Hoje, trago-vos uma pequena descoberta, para mim é claro, mas para quem já conhece saberá que se trata de um grande escritor de há muito. Há pouco tempo, tive o prazer de descobrir um escritor através de um dos seus livros que se encontrava numa das livrarias na região. Comecei, como é hábito, por ler a sinopse deste livro e assim fiquei curioso em continuar a sua leitura.

Raymond Carver:

Nasceu em Clatskanie, Oregon e cresceu em Yakima, Washington. Carver estudou com o escritor e teórico John Gardner na Chico State College em Chico, Califórnia. Publicou um grande número de contos em diversos periódicos, incluindo The New Yorker e Esquire, contos que mais tarde foram reunidos em livros. As suas histórias têm sido publicadas nas mais importantes colecções norte-americanas, como, por exemplo, Best American Short Stories e O. Henry Prize Stories.

A escrita de Carver é normalmente associada ao minimalismo. O seu editor na Esquire, Gordon Lish, foi fundamental neste processo. Por exemplo, quando Gardner aconselhava Carver a usar 15 palavras ao invés de 25, Lish aconselhava Carver a usar 5 no lugar de 15. Durante este tempo, Carver também submeteu os seus poemas a James Dickey, então editor de poesia da Esquire.

Carver morreu em Port Angeles, Washington, aos 50 anos, vítima de um cancro.

Aconselho vivamente a leitura dos contos de Raymond Carver. Para quem não conhece, será uma surpresa agradável.

Obs.: a capa aqui ilustrada refere-se à publicação feita pela editorial Teorema, colecção estórias.

De volta...

Após alguns meses (cerca de cinco) sem dar cavaco a ninguém, voltamos ao exercitando no presente blogue. Questões de disponibilidade pessoal e profissional lavaram-nos ao adiamento sucessivo da publicação de quaisquer notícias, informações, esclarecimentos ou meras curiosidades. A ver vamos se conseguimos recuperar o tempo perdido. A esse propósito, reclamamos colaboração ou questionamento por parte de eventuais consulentes.

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Gaivota", do projecto "Hoje"



Gaivota
Amália Rodrigues

Composição: Alexandre O'Neill / Alain Oulman


Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Porque poluímos tanto?" ou "Por que poluímos tanto?"

Segundo, por exemplo, o livro Em Português?, da Porto Editora, é referido que “porque” deverá escrever-se numa única palavra sempre que «se trate de um advérbio interrogativo, surgindo sempre ligado a um verbo» (p. 120). Deste modo, não se deve dizer “Por que poluímos tanto?”, mas sim “Porque poluímos tanto?” (Outros exemplos: "Porque não reclamaste?"; "Porque me tornei vegetariano?").
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«"Por que" escreve-se em duas palavras sempre que "por" é uma preposição», que se junta ao pronome interrogativo adjunto "que": "Por que motivo faltaste?" (O pronome "que" surge sempre junto de um substantivo ao qual está ligado pelo sentido).

Lousalite / lusalite/ losalite / rosalite

Não encontrei este termo nos dicionários que consultei.
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Penso que a ortografia mais adequada para designar este tipo de telha à base de fibrocimento será “lusalite”, por a ver com alguma frequência em documentos de instituições credíveis e que denotam preocupações com a escrita, como os tribunais.

"Exitoso"

Conforme o Dicionário da Língua Portuguesa 2009, da Porto Editora, este adjectivo usa-se em Angola com o significado de “êxito”: "A participação de Angola no campeonato mundial de andebol foi exitosa".

"Tivera falado"

Penso que se pode aceitar a construção “tivera falado” ("Ele tivera falado com o seu médico há tempos..."), que corresponde a “tinha (ou havia) falado”, portanto, pretérito mais-que-perfeito composto, só que apresenta um cunho mais arcaizante.
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No Ciberdúvidas, surge com a designação de “pretérito mais-que-perfeito anterior do indicativo”.

"Pese embora"

O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (http://ciberduvidas.sapo.pt) dá a resposta para este caso:
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«O Dicionário Houaiss regista a expressão "pesar embora" nas seguintes construções:
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1. «ainda que tal coisa custe ou doa a» — «estamos indo bem, pese embora aos catastrofistas de plantão»;
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2. «apesar de, a despeito de» — «restabeleceu-se, pesem embora os maus-tratos recebidos».
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Trata-se de uma expressão que é de certo modo fixa, mas que permite a sua articulação com outras frases, porque constitui uma oração concessiva. O verbo é sempre pesar, que pode ser usado como transitivo indirecto, como na frase 1, ou como intransitivo, a concordar com um sujeito expresso, como se vê em 2. Esta construção vem também descrita no Novo Dicionário Lello Estrutural, Estilístico e Sintáctico da Língua Portuguesa, de Énio Ramalho.
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A presença de embora, que é hoje uma conjunção concessiva, é neste caso arcaísmo e deve ser interpretada ainda como a aglutinação da expressão «em boa hora», tão característica do português do séc. XVI e já usada nesta fase com esse valor concessivo. Não há, portanto, redundância, no uso de pese embora.»
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Parece-me, pelo que ficou dito, que se pode aceitar como uma locução conjuncional subordinativa concessiva, tal como “apesar de” (locução, também ela, concessiva).

Tetracampeão e outros mais

Poderemos usar os radicais (que exprimem quantidade) "bi-", "tri-" (latinos), "tetra-", "penta-", "hexa-", "hepta-", "octo-", "enea-", "deca-", "hendeca-" e "duodeca-" (gregos), juntando-os ao substantivo “campeão”, para obtermos este tipo de palavras formadas por composição morfológica (subordinação), ou seja, "pentacampeão", “hexacampeão”, “heptacampeão”, ...

Contudo, não há um grande consenso entre os linguistas quanto à utilização “desenfreada”, muito na moda, destas palavras híbridas.

É de notar também que, a partir de doze, deve registar-se, por exemplo, que “Angola é campeã, por treze vezes seguidas, em basquetebol”.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Filme "Singularidades de uma Rapariga Loura", de Manoel de Oliveira

"Singularidades de um Rapariga Loira" traz-nos uma história de amor e desavenças, carregada da característica ironia de Eça de Queirós, sobre a moral e o atavismo português.

Manoel de Oliveira transpõe para o presente o conto de Eça. Macário (interpretado pelo neto de Oliveira, Ricardo Trêpa) é um contabilista que se apaixona perdidamente por Luísa (Catarina Wallenstein), a rapariga loira que costuma observar no quarto a partir da janela do seu escritório.

Consegue conquistá-la e tornar-se seu noivo, contra todas as adversidades, entre as quais a firme oposição do tio, que o expulsa mesmo de casa por causa disso. Contudo, um dia quando estavam numa ourivesaria, Luísa rouba um anel de diamantes e Macário, como homem de princípios sólidos, não hesita em chamá-la de ladra e romper definitivamente com a relação. À semelhança do que acontece no conto, a história é contada conforme Macário se lastima da sua desgraça a um passageiro com o qual se cruza no comboio (no filme uma personagem interpretada por Leonor Silveira).

Baseado no conto publicado por Eça em 1902, "Singularidades de uma Rapariga Loira" é o 49.º filme do realizador centenário. Entre o elenco encontram-se ainda Rogério Samora, Júlia Buisel e Diogo Dória.



79.ª Feira do Livro de Lisboa


Veja a programação:


Mara Castilho, artista plástica



"Sinto-me estrangeira em toda a parte, menos na língua portuguesa."

Mara Castilho, in Jornal de Letras n.º 1005

Xutos e Pontapés, 30 anos depois

O Novo Álbum

"Xutos & Pontapés"

Festa da Flor na Madeira

Cerca de 1.100 figurantes em representação de nove grupos animaram hoje [26 de Abril] as várias dezenas de milhar de madeirenses e turistas presentes nas principais artérias do Funchal, para verem mais um desfile da Festa da Flor.

As festividades, que começaram no último dia 15 e que só terminam dia 30, foram este ano subordinadas ao tema "O Principezinho", numa alusão ao livro de Antoine de Saint Exupéry.

Os nove grupos inspiraram-se nesse tema, com João Egídio a evocar "A viagem do Principezinho à Madeira", a Turma do Funil a propor "O Baile da Amizade", a Associação Fura Samba a prometer "Je veux te dire un secret..." e os Veteranos da Folia a lembrar "O pequeno Príncipe".
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sábado, 25 de abril de 2009

O que faz falta, Zeca?


Festejamos hoje os 35 anos da Revolução dos Cravos, como ficou conhecido o golpe militar que pôs termo a mais de 40 anos de ditadura.

Do rol variado de restrições que então se impunham e que a «Primavera marcelista» não soube ou não quis extinguir, destaco a censura de tudo o que então se escrevia. Sob o olhar atento dos censores, mais preocupados com palavras sediciosas do que com a qualidade da escrita, estendiam-se, carrancudos, os traços do lápis azul e, encimando uma folha, o rotundo “VISADO”.

Sem dúvida que a Revolução nos possibilitou definir um caminho político para o nosso país, construído em diálogo, confronto de ideias ou ideais, muitas das vezes acalorados, demasiado românticos e, pior, com ajustes de rua, atentados, motins, que, por pouco, nos iam projectando para uma guerra fratricida.

Apesar de tudo, as hostes acalmaram, muito no espírito do Condestável Nuno Álvares Pereira, que, garantida a integridade da nação, se recolheu do campo das batalhas políticas para se dedicar à espiritualidade e às benfeitorias.

Não me espanta, assim, que também muitos dos que se envolveram nas lutas democráticas do 25 de Abril se tenham, mais tarde ou mais cedo, afastado, como o incontornável Salgueiro Maia, que nada mais quis de Abril senão o espírito de mudança e o inconformismo que impulsionam o Homem a procurar a Liberdade para as suas gentes.

Olha-se, hoje em dia, para a política e para os políticos, na sua maioria antigos activistas de lutas em prol da democracia, ou que se gabam disso, e vemo-los mais interessados com as questões internas dos seus partidos, ou deles próprios, do que com o País, com os ideais de esquerda ou de direita, protecção social, justiça, segurança, estabilidade, verdade, por que, creio, lutaram no PREC.

Cansamo-nos da corrupção, dos escândalos da classe política, dos compadrios, das injustiças sociais e de um regime democrático onde os deputados são escolhidos pelos partidos para serem mandatados pela população a seguirem, quase sempre, uma disciplina de voto partidário. O deputado, mais do que estar ao serviço do povo, está ao serviço do partido, que, quantas vezes, contraria o seu programa eleitoral, apresentado em festa no calor de uma campanha milionária.

Muitas vezes penso no rotativismo dos partidos liberais, na segunda metade do século XIX, e imagino se não teremos caído no mesmo marasmo. Lemos as críticas da imprensa da altura e vemos os magníficos desenhos humorísticos de Rafael Bordalo Pinheiro com um pensamento de actualidade a tocar-nos bem fundo.

É extraordinário como evoluímos tanto ao nível tecnológico e como marcamos passo no humanismo, na evolução de mentalidades, neste servilismo económico que amarra muitos a poucos.

Dizem-me que sou um dos “filhos” de Abril. Tento acreditar, de verdade! Por isso, afasto os fantasmas da descolonização atabalhoada, dos atentados à bomba, das autopromoções, do depauperamento das reservas financeiras, para acreditar que, para além do que falhou entretanto, hoje não nos deixamos manietar por despotismos irracionais.

O que faz falta, Zeca, à malta?

“Canga”, de Horácio Bento de Gouveia




Por volta de 1946, Bento de Gouveia empreendeu a escrita desta magnífica obra, que aborda as injustiças que pesavam sobre o mundo rural madeirense, sobretudo por causa do medieval regime agrário da colonia, que obrigava o empobrecido camponês a trabalhar desalmadamente uma terra que nunca lhe poderia pertencer. O benefício era todo do senhorio, que impunha as rendas pelo amanho dos terrenos, mais as partes do que estes produzissem, não olhando às dificuldades e às inconstâncias do tempo, aos imprevistos, às maleitas, à penúria, mas somente ao lucro máximo. Chegava-se ao cúmulo de os pobres camponeses serem inspeccionados nos seus feijoeiros, a fim de o senhorio se acautelar que nenhuma vagem tinha sido arrancada do pé, pois tudo o que medrava nos terrenos não pertencia aos colonos, mas sim ao senhor, apesar de serem aqueles que cultivavam a terra e sobreviviam com os restos com que conseguiam ficar (isto quando a terra dava).

Assim, em 1949, Bento de Gouveia lança Ilhéus. Numa reedição feita em 1960, o escritor acaba por incorporar factos importantes acontecidos na década de cinquenta, essencialmente a compra de terrenos por parte do Estado para os entregar, sob o pagamento de suaves prestações, aos colonos.

No pós-25 de Abril de 1974, envolto no projecto autonómico da Região, Horácio Bento retoma o romance, actualizando-o com um novo título, Canga, já anteriormente pensado, mas impossível de concretizar por causa da Censura. Para mais, o escritor madeirense nunca ficou satisfeito com os dois primeiros títulos, Os Garipos e os Misérias (antes da impressão) e Ilhéus, até porque é o próprio Aquilino Ribeiro que, em carta ao autor, a propósito do prefácio que escrevera para a primeira edição do livro, em 1949, refere que o título é «muito restritivo». Havendo a liberdade almejada, Horácio Bento coloca, na obra, o título inicialmente pensado, Canga, acrescentando-lhe, ainda, mais dois capítulos que tinham sido censurados nas duas edições anteriores. Nunca satisfeito, reformula, também, determinados trechos, muda alguns nomes de personagens e repõe passagens censuradas nas primeiras edições, como quando o colono desabafa que «um homem tem de ser livre», conforme nos diz Thierry Proença dos Santos, na introdução que faz à reedição feita, em 2008, pela empresa municipal “Funchal 500 Anos”.

Horácio Bento de Gouveia elucida-nos, em definição das razões para a terceira edição, de 1975, acerca da «mágoa de a obra ter sido truncada pela censura, quando foi lançada ao público. Os capítulos censurados por circunstâncias de natureza político-social desarticularam a acção romanesca dentro do realismo da vida». Assim, diz o escritor, «um motivo forte impulsionou a presente edição: a actual ausência de censura».

Hoje podemos ler integralmente a soberba obra, que, «para muitos», nas palavras de Thierry Proença dos Santos, «é o romance marcante da literatura de temática madeirense de meados do século, como Eternidade, de Ferreira de Castro, o fora nos anos trinta». Deste modo, «havia, finalmente, um romance escrito por um madeirense que dava conta do seu sentir de ilhéu e espelhava a sociedade madeirense, problematizando algumas das injustiças e aspirações que a definiam».

Todavia, apesar da terceira edição ter saído liberta dos algozes da Censura e de ter tido ampla projecção nos anos oitenta, caiu, entretanto, num certo esquecimento, desviando-se de toda uma camada jovem (e não só!) que a devia, sem dúvida, conhecer.

«— Triste de quem é prove!»

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Artigos de leis, decretos e portarias

Em conversa com alguns colegas, surgiu a dúvida acerca da numeração de artigos de leis, decretos e portarias, tanto na escrita como na oralidade.

Assim, após apurada demanda no ciberdúvidas e tendo por base a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, as conclusões foram estas:

a) na escrita, observando-se que há contradição entre o falado e o escrito, propõe-se que se escreva ou sempre os ordinais ou sempre os cardinais, por uma questão de coerência (ex.: Art. 1.º, 2.º, 3.º ,... 14.º, etc. ou Art. n.º 1, n.º 2, n.º 3, ... n.º 14, etc.);

b) na oralidade, devemos então seguir a regra geral que indica o ordinal até nove, e o cardinal de dez em diante (ex.: Artigo 1.º - primeiro, Artigo 2.º - segundo, etc. e Artigo 10 - dez, Artigo 11 - onze, etc.);

c) não existe unanimidade acerca da utilização dos numerais ordinais e cardinais a este respeito quer nas gramáticas existentes, quer nas opiniões de consulentes diversos;

d) a orientação aqui apresentada parece ser a que se afigura mais adequada.

Obs.: poderão consultar o sítio http://www.ciberduvidas.pt onde encontrarão os esclarecimentos aí existentes.

domingo, 19 de abril de 2009

4.ª Edição do Literatura em Viagem


A 4.ª edição do Literatura em Viagem, o encontro de escritores organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, com coordenação de Francisco Guedes, realiza-se entre os próximos dias 18 e 21 de Abril. Vão estar presentes autores portugueses, espanhóis, norte americanos, italianos, mexicanos, argentinos, peruanos, brasileiros e chilenos, unidos pela paixão de viajar. Ao longo do encontro serão lançados vários livros.
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Veja o programa completo no blogue do Jornal de Letras.

World Press Cartoon (5.ª edição)


Veja os vencedores do WPC Sintra 2009 em http://www.worldpresscartoon.com/pt/index.php

Exposição "Rafael Bordalo Pinheiro - Da Caricatura à Cerâmica", no Sintra Museu de Arte Moderna




Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro



Depois de estar em risco iminente de fechar, esperamos que o novo investidor catapulte novamente a fábrica das Caldas da Rainha, fundada em 1884, para o lugar insubstituível que sempre ocupou no nosso país, mantendo-se, assim, o legado de Rafael Bordalo Pinheiro e do seu irmão Columbano.

Parece, também, segundo notícia do JL (n.º 1005), que o Estado comprou os «moldes» de Rafael, o que assegura a sua preservação.

"Singularidades de uma Rapariga Loura", de Manoel de Oliveira, no Festival Indie


O filme "Singularidades De Uma Rapariga Loura", de Manoel de Oliveira, será exibido em antestreia nacional no 6.º Festival Indie Lisboa, que arranca a 23 de Abril, anunciou hoje [13 de Março] a organização.

O mais recente filme de Manoel de Oliveira, produzido pela Filmes do Tejo, será exibido no festival dias antes da estreia comercial nas salas de cinema, marcada para 30 de Abril.

A sessão de antestreia, ainda sem data certa, decorrerá no cinema São Jorge, em Lisboa, e o cineasta deverá marcar presença.

"Singularidades De Uma Rapariga Loura", uma co-produção entre Portugal, Espanha e França, é uma adaptação de um conto homónimo de Eça de Queirós, publicado no começo do século XX.

A história centra-se em Macário, um jovem contabilista que se perde de amores por Luísa Vilaça, uma rapariga loira por quem fez juras de amor e casamento até que descobre uma singularidade da virtuosa noiva.

Nesta nova produção, Manoel de Oliveira contou com a participação de Ricardo Trêpa, seu neto, Diogo Dória, Leonor Silveira, Júlia Buisel, Rogério Samora, Luís Miguel Cintra e Catarina Wallenstein, no papel de Luísa, a rapariga loura.

A longa-metragem foi rodada em Novembro e Dezembro do ano passado e teve a primeira apresentação mundial em Fevereiro no Festival de Cinema de Berlim, onde Manoel de Oliveira foi distinguido com o Prémio Berlinale Kamera.

Actualmente, Manoel de Oliveira está a trabalhar na produção do filme "O Estranho Caso de Angélica".

O Indie Lisboa, festival dedicado ao cinema independente organizado pela associação Zero em Comportamento, decorrerá de 23 de Abril a 3 de Maio.

Nesta 6.ª edição, o festival irá homenagear os realizadores Werner Herzog e Jacques Nolot com a realização de duas retrospectivas. A programação será apresentada no dia 23 de Março em Lisboa.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Festa da Flor 2009

Terá como tema “O Principezinho”


O Governo Regional vai investir um total de 301 mil euros na Festa da Flor 2009, um evento que, de acordo com a secretária regional do Turismo e Transportes, Conceição Estudante, já é "o maior cartaz turístico da Madeira", na perspectiva de ser aquele que "maior retorno económico" traz à Região.
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Na apresentação da Festa da Flor 2009, a governante enalteceu ainda o aumento no número de flores dos produtores madeirenses que serão utilizadas neste cartaz turístico.
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Integrada na Festa da Flor, que decorre entre 22 e 26 do corrente mês de Abril, foi também inaugurada uma exposição alusiva à história de 'O Principezinho', patente no Espaço Infoart da secretaria de Turismo, e que reúne parte do espólio particular de Francisco Fernandes.
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Nélio Gomes
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Filme "Um Amor de Perdição", de Mário Barroso


Dia 17 de Abril

Antestreia do filme "Um Amor de Perdição"

O auditório da Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, Famalicão, acolhe dia 17 a antestreia do filme "Um Amor de Perdição", uma adaptação de Mário Barroso do romance de Camilo Castelo Branco.

Fonte do organismo indicou hoje [7 de Abril] à Lusa que o filme, que se estreia nas salas de cinema dia 23, "é a quarta versão do eterno 'Amor de Perdição' da autoria do grande romancista".

Além de já ter dado origem a quatro filmes (um deles pelo realizador Manoel de Oliveira), o romance de Camilo já inspirou inúmeras adaptações teatrais e o próprio livro continua a ter sucessivas edições, assinalou a fonte.

A cerimónia conta com as presenças do realizador e dos actores Tomás Alves e Catarina Wallenstein, entre outros.

"Um Amor de Perdição", de Mário Barroso, é a história de um encontro entre Simão e Teresa, sobre um fundo de conflito entre duas famílias da burguesia.

Na introdução ao catálogo do filme, o realizador diz: "Simão é um adolescente quase criança, solitário, intransigente, narcisista, destrutivo e suicidário que atrai como uma aura fatal, uma luz negra, a maior parte das pessoas com quem se cruza. Mas Teresa existe, ou é apenas uma ideia, uma imagem, um reflexo? Teresa é uma aparição. Um pretexto para uma revolta amoral e violenta".

"Ao adaptar o romance ao cinema pretendi concentrar-me naquele que considero ser o real mote impulsionador da história: a obstinação, a história de oposição que leva à auto-destruição do herói e não tanto a história de amor proibido entre dois adolescentes", explica.

"'Um Amor de Perdição' - diz ainda - é, essencialmente, Simão Botelho. O adolescente que não reconhece autoridade nem moral porque vive fora dela, tem a sua própria ética que o vai levar até ao fim aniquilador, como se de algo inevitável se tratasse. Mais do que uma história de paixão, uma história de violência e rivalidade".

O filme foi produzido por Paulo Branco e conta com Tomás Alves, Patrícia Franco, Catarina Wallenstein, Ana Padrão e Willion Brandão nos principais papéis. O argumento adaptado é de Carlos Saboga e a música de Bernardo Sassetti.

Em Março, o filme foi seleccionado para o Festival de Cinema Independente de Buenos Aires e integrou ainda a selecção oficial do Festival Internacional de Cinema de Las Palmas, em Espanha.



Soeiro Pereira Gomes



14 de Abril de 2009

A Câmara de Baião homenageia a 25 de Abril, com uma sessão solene da Assembleia Municipal, a figura de Joaquim Soeiro Pereira Gomes, um dos escritores que marcaram o estilo neo-realista na literatura portuguesa.

Soeiro Pereira Gomes nasceu faz hoje 100 anos (14 Abril de 1909), na freguesia de Gestaçô, concelho de Baião.

Filho de uma família de agricultores durienses - e irmão da escritora infanto-juvenil Alice Pereira Gomes e do matemático Alfredo Pereira Gomes - Soeiro Pereira Gomes viveu também em Espinho, Coimbra, Angola e Alhandra (Vila Franca de Xira).

Pautou a sua actividade pela defesa da melhoria de vida das classes trabalhadoras e pela denúncia da exploração a que estas estavam sujeitas.

A sua actividade repartiu-se pela escrita - foi autor dos romances "Esteiros" (ilustrado por Álvaro Cunhal) e "Engrenagem", e do livro de contos "Contos Vermelhos" - pela dinamização cultural e desportiva da comunidade de Alhandra e pela militância no Partido Comunista Português, ao serviço do qual passou à clandestinidade.

São as diferentes facetas da vida desta personalidade que o município de Baião vai homenagear, no próximo dia 25 de Abril, com uma sessão solene da Assembleia Municipal. Na cerimónia tomarão a palavra os partidos com assento naquele órgão, bem como um familiar de Soeiro Pereira Gomes.

Um representante do PCP vai recordar o contributo de Soeiro para a resistência antifascista.

Numa parceria entre a Câmara Municipal de Baião e os CTT, vai ser apresentado um selo comemorativo do centenário de Soeiro Pereira Gomes.
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A homenagem, que se reparte pelos Paços do Concelho de Baião e pela freguesia de Gestaçô, contará ainda com momentos musicais - a cargo da Banda da Casa do Povo de Santa Marinha do Zêzere e do músico Gildo Oliveira - e com a deposição de uma coroa de flores junto ao monumento de Soeiro Pereira Gomes.

PM.

Lusa
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Soeiro Pereira Gomes 100 anos de um clássico
MOSTRA BIBLIOGRÁFICA 1 a 23 de Abril BNP
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domingo, 12 de abril de 2009

"O Inspector Geral", de Nicolau Gogol

Em cena no TeatroCinearte A Barraca
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Uma minúscula autarquia de província vive o pesadelo da visita de um Inspector-Geral anunciada por carta a um presidente da câmara modelo de populismo, corrupção e ridículo.
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Durante quase duzentos anos debateram-se opiniões sobre esta obra de Gogol. Estamos diante de uma sátira de costumes disse-se. De uma obra política? Outros defenderam “é uma obra de dimensão metafísica”, uma obra moral, um exercício de fantástico e de absurdo onde o sonho, o medo e o remorso dominam.
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Felizmente vivemos um tempo que entrelaçou Brecht com Stanislasvki e Marx com Freud. Estamos livres para olhar para este impostor, estrangeiro, diabo, nada, com a liberdade de não querermos saber o que foi ele para Gogol, mas o que pode ser para nós hoje.
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Para mim, se querem saber, estamos diante de tudo isso e de um escritor/artista a jogar às escondidas com o seu pânico. Mas sobretudo estamos num Baile de Máscaras onde ninguém é quem mostra ou, sequer, quem julga ser. No coração das trevas, lá mesmo onde o teatro acendeu uma luz. Uma obra que permite a actores e directores a realização de grandes trabalhos e ao público um arraial de gargalhada.
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Veja também o blogue:
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

"Embeiçado"

Já há muito que tivemos esta conversa. Os dias foram passando e ficámos, até agora, somente pelas palavras trocadas por cima de um balcão. É quase como se só me visse em grandes planos. Já se deve ter habituado a observar os outros assim, em partes, em relampejos, em olhares.

Olho para o balcão e vejo-o lá, emoldurado, como se todo aquele tabuado polido fosse o caixilho do seu trabalho. O ser, esse, não se prega, fixo, com tachas de metal.

Disse, então, que numa determinada novela empregavam o termo “embeiçado” com um significado diferente daquele que conhecia, “estar sem dinheiro”.

Empederni-me, pois esse era claramente um significado que não conhecia. Sempre ouvira e aplicara o sentido de “estar enamorado”, “andar pelo beicinho”.

Pensei que tivesse sido um problema meu de audição e insisti consigo. Andámos, assim, durante alguns segundos, a soletrar sílabas, como se fôssemos linguistas ou teríamos perdido, sei lá, as estribeiras, no julgamento avulso de alguém que se fizesse aparecer naquele momento tão filológico.

Continuava alheado de uma explicação clara sobre a aceitabilidade desse significado. Não lhe poderia dar certezas, pois, para um “cubano”, a aprendizagem de determinados termos vai sendo feita com o tempo. O berço trouxe-me outros vocábulos, muitos deles também de aplicação regional, que, por sua vez, vou tentando não esquecer, para bem de todo o nosso riquíssimo património linguístico. Às vezes acontece estarmos a discutir determinados regionalismos e notamos que essas mesmas palavras têm um uso igual em determinadas zonas do Continente. Espanta-me, por exemplo, dizer-se que “malha”, no sentido de “dar uma malha a alguém”, é um regionalismo madeirense, ou que “penca”, no sentido de “nariz”, também o é. Por vezes, cai-se um pouco no exagero, por desconhecimento dos usos de outras zonas e da própria história da Madeira, com os seus movimentos populacionais. Contudo, isto não diminui em nada, muito longe disso, todo o valiosíssimo património ao nível dos regionalismos madeirenses, que eu deveras aprecio, cada vez mais.

Assim, meu caro amigo, aprendi consigo que “embeiçado” também poderia significar “estar sem dinheiro”, como pude, posteriormente, confirmar no blogue da Lilia Mata, “o rabo do gato”, delicioso nestas estórias que têm palavras como personagens. Não vem nos dicionários normativos, compreende-se, mas tem a correcção do uso, num código que é entendido e aceite por um conjunto de falantes.

Para que a memória das gentes e a alma das palavras não se perca, tem de haver sempre estes momentos animados em que nos embeiçamos com o porte de uma expressão.

"Grandes Livros", a nova série da RTP2

GRANDES LIVROS é uma série de 12 documentários, com 50 minutos cada, narrados por Diogo Infante, que pretende contribuir para a promoção da leitura das grandes obras da literatura portuguesa junto de todas as faixas etárias de falantes de português. Cada episódio contará com a participação dos principais especialistas na obra e/ou no autor em análise.
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O conceito GRANDES LIVROS assenta na análise da obra mais emblemática de um escritor português: a estória, o contexto histórico, a importância que teve/tem, a história do autor. A selecção obedece ao seguinte critério: um livro por autor; autores portugueses falecidos; obras passíveis de serem abordadas em televisão e apelarem a uma grande faixa da população.
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Lista de obras para a primeira série de "Grandes Livros":
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- Os Maias (Eça de Queirós)
- Os Lusíadas (Luís Vaz de Camões)
- O Delfim (José Cardoso Pires)
- Aparição (Vergílio Ferreira)
- Navegações (Sophia de Mello Breyner Andresen)
- Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)
- Sinais de Fogo (Jorge de Sena)
- Sermão de S. Ant. aos Peixes (P. Ant. Vieira)
- Viagens na Minha Terra (Almeida Garrett)
- Mau Tempo no Canal (Vitorino Nemésio)
- Peregrinação (Fernão Mendes Pinto)
- Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco)
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Relíquias de uma Biblioteca Escolar

Torna-Viagem, de Horácio Bento de Gouveia
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Torna-Viagem é, como assume o autor no subtítulo, o romance do emigrante, em que, sempre no dizer do mesmo, “o descritivismo e a narrativa possuem uma inteireza, um visualismo e uma sobriedade retórica de estilo clássico”.
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O romance, cuja acção tem início na viragem dos anos trinta para quarenta e fim por volta do ano de setenta e sete, organiza-se em duas partes.
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Na primeira, intitulada “vidas ignoradas”, o narrador pinta a vida dos habitantes da Achada do Castanheiro, lugar da freguesia de Boaventura, onde as marcas da insularidade lhes determina o quotidiano. Duas estórias distintas e exemplares vão constituir a tessitura diegética: a do sapateiro Artur, recém-casado e preso à sua condição social, levando-o a tomar a decisão de emigrar, e a do casal Freitas, o Francisco e a Inês, que também se vê obrigado a demandar outras terras por não haver na freguesia condições económicas de sustentabilidade para o pequeno comércio em que investiram, nem perspectiva de mobilidade social.
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Na segunda parte do romance, designado como “o emigrante”, seguem as tribulações desses e outros filhos da Achada, pelo Brasil e, depois, pela Venezuela, com todos os fracassos e sucessos, mantendo sempre viva a esperança de voltar ao torrão natal e “conquistar um lugar de direito junto dos seus conterrâneos.” Artur, a quem “ a falta de tino por causa das mulheres” deita a perder as boas oportunidades, volta, no final, já envelhecido e sem nada, passados trinta e cinco anos, à casa de partida e à mulher que abandonou, enquanto a família Freitas, animada por um espírito empreendedor, acaba por colher os frutos de seu trabalho, dando corpo a uma história de sucesso empresarial na Venezuela.
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Torna-Viagem não perdeu actualidade. Hoje como ontem, ilhéus continuam a emigrar e os problemas que enfrentam também são de vária ordem. Há os bem sucedidos e há os desventurados da sorte.
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[Graziela F. Camacho]
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Dois excertos:
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«E depois de algurandearem, os olhos tolhendo a reflexão, seduziu-os a obra indígena de vime; e desarvorou o automóvel direito ao Santo para, momentos vividos em que se olha e não se vê, flectir o carro através da estrada de ziguezague até à Portela. O morro da Penha d' Águia afrontando o mar suscitou de Fonseca Pereira:
-- Faltam-me as palavras para dizer o que sinto!
À vista das fazendolas cultivadas acolá onde os abismos se afundam em boqueirões que os olhos apavoram, o senhor Pereira formulou o juízo:
-- Se a Ilha é toda assim a emigração é necessidade do homem. Agora compreendo que o madeirense emigre para Venezuela, Canadá, Austrália, Brasil... O trabalho duro do homem deve ser quase insuficiente na conservação da vida do corpo.» [p. 234]
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«Fonseca Pereira compreendeu, com digressar pelas terreolas, que a emigração é uma necessidade do ilhéu. Vida escravizada à terra tão retalhada que as nesgas mal chegam para extrair da vida dura o pão que alimenta escassamente e escassamente dá o vestuário e o calçado. E foi confabulando, terminado o almoço, que o Francisco Freitas descreveu o panorama económico da maioria das populações do norte da ilha: as culturas são pobres e a gente tem de ser pobre.» [p. 238]

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"Kronos", de Cristina Branco

O fado não fazia parte das escolhas de vida de Cristina Branco. As suas atenções estavam mais centradas noutras músicas e no curso de Comunicação Social que queria concluir. Mas o disco de Amália Rodrigues, que, aos 18 anos, o avô lhe ofereceu, deitou por terra ideias feitas.

Foi ouvir fado ao vivo. E isso fê-la mudar de ideias. Começou a cantar. Curiosamente, foram os holandeses quem primeiramente a descobriram, vai para 11 anos. Desde então tem-se dedicado a "um desassossego e a uma procura" que se materializam em mais um disco, (o décimo da carreira), intitulado "Kronos", que estará à venda a partir de amanhã [9 de Março]. Nele reúne 14 temas inéditos com contributos de nomes como Amélia Muge, Sérgio Godinho, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura, Rui Veloso, Vitorino, José Mário Branco, Mário Laginha...

Neste disco escolheu o tema tempo como fio condutor. Porquê?

Ao fim de 11 anos de carreira falar do tempo foi quase óbvio. Há cinco anos que não entrava em estúdio e por isso sinto que estou mais amadurecida. Que já posso fazer uma espécie de balanço. Para mim, foi uma coisa naturalíssima. Apeteceu-me falar do tempo. Até porque aconteceram algumas mudanças na minha vida profissional e emocional, (fui recentemente mãe). De permeio gravei dois discos (um dedicado a Amália e outro a José Afonso) que me fizeram repensar imensas coisas na minha vida.

Como materializou a ideia? Tinha alguns poemas já escolhidos?

Tinha apenas dois que me chegaram antes de ter pensado na temática. Um era do Manuel Alegre ("Trago um fado") e outro do Vasco Graça Moura ("Tango"). Depois pensei que seria interessante convidar uma série de autores contemporâneos para comporem para mim. A proposta que lhes fiz era de que me escrevessem temas com a temática do tempo. A Amélia Muge foi a primeira a responder ao desafio, mesmo antes de a convidar formalmente. Tinha lido algures que eu iria fazê-lo e antecipou-se enviando-me o tema "O meu calendário".

O disco inclui "Fado mal passado", uma letra do pintor Júlio Pomar musicada por António Victorino d'Almeida? Como surgiu este encontro?

O Júlio Pomar é um amigo de longa data. Tem esta faceta de letrista que nem toda a gente conhece. Já é o segundo fado que canto dele. Gosto desta vertente muito satírica das suas letras. Por outro lado, como eu canto sempre coisas tão sérias, desta vez soube-me bem interpretar um fado tão brincalhão como é este. E a música do maestro Victorino d'Almeida, outra pessoa que também tem o dom da ironia, acabou por casar bem com a letra. O resultado agrada.

Também canta "Margarida", um poema de Álvaro de Campos musicado por Mário Laginha....

Essa é a única música que não foi feita originalmente para mim. Era para ser cantada pelo Camané, que nunca a gravou. Mas, como tem o nome da minha filha, pedi-lhes para me deixarem cantá-la. Afinal "Margarida" também fala da passagem do tempo.

Há alguma ausência que lamente neste seu trabalho?

Uma ausência terrível é a do Fausto. Ele bem tentou compor um tema mas não teve disponibilidade. O Jorge Palma também não conseguiu compor a tempo, mas canta comigo o tema "Margarida".

Este disco não é de fado, no sentido purista do termo. Ainda anda à procura de um estilo?

Já não me inquieta essa questão. Se calhar este é o meu estilo. Não sou nem me acho fadista. Canto o meu fado. Deixem-me que lhe chame assim, porque quando oiço o som de uma guitarra portuguesa a minha alma é completamente fado. Mesmo que, por vezes, aos puristas, não soe como tal.
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O alinhamento de KRONOS é o seguinte:
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Trago um Fado (3:18)Letra: Manuel Alegre / Música: Ricardo Dias
Eterno Retorno (3:01)Letra: Hélia Correia / Música: Janita Salomé
Bomba relógio (3:49)Letra e Música: Sérgio Godinho
Longe do Sul (3:37)Letra: Miguel Farias / Música: Carlos Bica
Margarida (2:35)Letra: Álvaro de Campos/ Música: Mário Laginha
O Meu Calendário (3:53)Letra e Música: Amélia Muge
Bichinhos Distraídos (3:45)Letra e Música: José Mário Branco
Tango (4:07)Letra: Vasco Graça Moura / Música: Mário Laginha
Eléctrico Amarelo (3:37)Letra: Carlos Tê / Música: Rui Veloso
O rapaz do trapézio voador (3:06)Letra e Música: Vitorino
O Sítio (4:50)Letra e Música: João Paulo Esteves da Silva
Uma outra Noite (3:02)Letra: João Paulo Esteves da Silva / Música: Ricardo Dias
Fado do Mal Passado (2:28)Letra: Júlio Pormar / Música: Victorino d’Almeida
Histórias do Tempo (3:23)Letra: Amélia Muge/ Música: Ricardo J. Dias


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Álvaro de Campos


Ai, Margarida,


Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
— Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.

Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.

E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.

Comunicado pelo Engenheiro Naval
Sr. Álvaro de Campos em estado
de inconsciência
alcoólica.

Dia Internacional do Livro Infantil

2 de Abril



Desde 1967, na data de aniversário de Hans Christian Andersen, 2 de Abril, é celebrado o Dia Internacional do Livro Infantil, com o objectivo de promover o gosto pela leitura e evidenciar os livros infantis.

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Conheça a Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas:



quarta-feira, 25 de março de 2009

Português em Dia



A ASA criou este novo blogue, que disponibiliza esclarecimentos para muitas dúvidas de português e não só.

domingo, 22 de março de 2009

Fernando Pessoa no vapor "Funchal"

Fernando Pessoa, a 20 de Janeiro de 1896, quando tinha sete anos, acompanhado pela mãe, Maria Madalena Pinheiro Nogueira, e pelo tio Cunha, parte em direcção a Durban, na então colónia inglesa do Natal, África do Sul, a fim de se encontrar com João Miguel Rosa, nomeado cônsul nesta cidade em 1895 e padrasto do pequeno Fernando.

O primeiro destino da viagem, a bordo do vapor Funchal, seria a Madeira, com o objectivo de aguardarem o paquete inglês que os haveria de levar até à África do Sul.

Conta-se que, na altura da despedida, ainda no porto de Lisboa, deram pela falta de Fernando. Receando que se tivesse perdido no vapor, vêm-no a encontrar já no seu camarote, concentrado a fazer um jogo de palavras na folha de um jornal.
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Esta história está presente na magnífica obra de Richard Zenith, que traça a biografia de Fernando Pessoa com um renovado olhar.
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Texto de Richard Zenith

Direcção de Joaquim Vieira

sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia

Com o objectivo de promover a diversidade linguística, a UNESCO decidiu, em 1999, proclamar o dia 21 de Março Dia Mundial da Poesia.


Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.


O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

quarta-feira, 18 de março de 2009

Antero de Quental, por Zeca Medeiros


Zeca Medeiros: A "ousadia" de filmar Antero
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O novo filme do realizador José Medeiros, a exibir em 2009 na RTP/Açores, recorda a vida e obra do poeta Antero de Quental, uma "ousadia" para dar a conhecer um dos maiores vultos da cultura portuguesa.
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"Pretendo desvendar os mistérios e grandezas de um homem extraordinário. Se conseguir passar essa mensagem a quem conhece menos bem a vida e obra de Antero de Quental, cumpro a minha missão", afirmou à agência Lusa o realizador açoriano, que está a gravar, desde o início do ano [2008], o filme sobre o poeta açoriano do século XIX.
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Antero de Quental nasceu em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, nos Açores, em 1842. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Privou com nomes sonantes da cultura portuguesa como Eça de Queirós e Ramalho Ortigão e suicidou-se em 1891 na cidade natal.
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Com um orçamento de 250 mil euros, a película, cujas gravações terminam em Setembro, pretende enfatizar "o lado mais humano de Antero de Quental", mostrando "um homem genial, atormentado, preocupado com o espírito, mas também dado a paixões".
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O guião do filme, escrito por José Medeiros e André Palmeiro, a partir de um esboço do director regional da Cultura, Vasco Pereira da Costa, conta também com uma banda sonora original criada pelo realizador, em que são interpretados dois poemas de Antero de Quental por Filipa Pais e Mariana Abrunheiro.
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Além das actrizes continentais Maria do Céu Guerra, Sofia Nicholson e Rita Lello, destacam-se actores açorianos como Natália Marcelino, Raul Resendes e Emanuel Carreiro, entre outros, numa película com um elenco de cerca de 30 actores profissionais e amadores e 50 figurantes.
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"Nunca tive a preocupação de ter nomes sonantes. O critério foi escolher actores que pudessem servir as personagens", afirmou o realizador, ao reconhecer que, depois de um atraso inicial, a rodagem está "mais ou menos dentro dos prazos previstos" e será concluída com a gravação de algumas cenas no Continente.
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A produção da RTP/Açores, que José Medeiros classifica como sendo "uma grande ousadia", conta com o apoio financeiro do Governo Regional e terá uma duração estimada de uma hora e meia.
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Além da emissão no canal público regional, no início de 2009, o realizador gostaria de que o seu mais recente trabalho passasse num dos canais nacionais da RTP, à semelhança do que já aconteceu com os "Xailes Negros".
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José Medeiros anunciou, ainda, que está previsto lançar um DVD, o que vai permitir à produção percorrer o país e, eventualmente, a diáspora, para dar a conhecer o poeta Antero de Quental às gerações mais novas, através de sessões de cinema e debates em escolas e colectividades.
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Por haver muitas histórias nos Açores que estão "no lado oculto da lua e merecem ser contadas", José Medeiros revelou que tem já em mente um novo filme, que vai contar a história do corvino Carlos Jorge Nascimento, que imigrou para o Chile e foi o primeiro editor do escritor Pablo Neruda.
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Sentado à entrada da aula magna da Universidade dos Açores, onde decorrem actualmente as gravações do filme, Raul Resendes, 50 anos, fuma um cigarro enquanto espera para "vestir a pele" de Antero de Quental, um dos "maiores desafios" da sua carreira enquanto actor amador.
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"É uma oportunidade e uma enorme desafio que o Zeca (José Medeiros) me colocou há cerca de dois a três anos e nunca mais me saiu da cabeça. Não pude recusar", confessou à Lusa Raul Resendes, que conta no currículo com participações em várias produções de José Medeiros e nos filmes de Artur Ribeiro e Margarida Gil.
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O técnico de som da RDP/Açores referiu, também, ter ficado surpreendido ao constatar as inúmeras semelhanças físicas que tem com o poeta e filósofo açoriano Antero de Quental, sobretudo após ter deixado crescer a barba há 11 meses.
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"Muitas pessoas, mesmo sem saberem que estou a fazer esse papel, metem-se comigo e chamam-me de Antero", afirmou Raul Resendes, que, por imposição do papel, não pode ir à praia este Verão para manter o tom de pele e tem de cuidar da linha e aparar frequentemente o cabelo para haver coerência ao longo de todo o filme.
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Antes de aceitar o papel, Raul Resendes admitiu conhecer "muito por alto" a obra de Antero de Quental, mas todo o trabalho de preparação obrigou-o a ler cartas e poemas do autor, o que considerou ser uma "das grandes recompensas" que leva desse trabalho.
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"Eu, como tantos outros açorianos, desconheço Antero. Desde que comecei a lê-lo, tenho recomendado a amigos", disse o actor, que sente "algum medo" do dia em que vai cortar a barba após a conclusão das gravações, por já se ter habituado à imagem.
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Por ser um filme de época, gravado nos Açores e no Continente, a produção teve de realizar antecipadamente uma pesquisa documental para poder escolher o guarda-roupa, maquilhagem e penteados, bem como cenários interiores e exteriores mais adequados.
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A figurinista Rosa Almeida Lima referiu à Lusa que, só para a personagem de Antero de Quental, que demora cerca de uma hora a caracterizar, foram mandados fazer, por medida, num alfaiate em Lisboa, sete fatos e dois sobretudos.
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No total, foram alugados mais de 200 fatos em lojas da especialidade, em Lisboa e Madrid, para as restantes personagens, que vão sendo, ao longo das gravações, alterados por costureiras locais, para parecerem diferentes.
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Além disso foram emprestados por famílias micaelenses vários adereços antigos, como jóias, leques, estolas, relógios, chapéus e bengalas, indicou.
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Apesar de existirem ainda os sapatos, chapéu e bengala usados por Antero de Quental, objectos que fazem parte do acervo da Biblioteca Pública de Ponta Delgada, a sua fragilidade inviabilizou que fossem utilizados durante as filmagens, mas serviram de modelo para encontrar ou mandar fazer réplicas.
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Rosa Almeida Lima, que se estreou como figurinista no "Mau Tempo no Canal" e já trabalhou em filmes de vários realizadores portugueses, entre os quais Manoel de Oliveira, considerou que os filmes de época são "muito mais exigentes e obrigam a uma grande imaginação e criatividade" para fazer face aos orçamentos limitados e à pouca oferta de guarda-roupa existente em Portugal.
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Autor: Ruben Medeiros (Lusa)
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domingo, 15 de março de 2009

2.ª Bienal de Culturas Lusófonas

A Lusofonia – encontro de culturas diversas mas ligadas pela bela língua portuguesa – tem merecido da Malaposta o maior interesse e empenhamento. Foi assim que a Bienal de 2007, cujo tema era a Lusofonia, conseguiu ser um sucesso.
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Mário Máximo e a sua excelente equipa desencadearam uma série de iniciativas da maior qualidade a mostrarem o alto nível dos participantes e a importância das acções tomadas em comum.
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E não foi só a região de Odivelas que foi beneficiada porque o Encontro transbordou os limites da região – sob a muito competente presidência da Senhora Dra. Susana Amador – e mereceu o aplauso e admiração de personalidades de outras regiões que, tendo conhecimento do Encontro, se deslocaram a Odivelas.
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É de uma grande importância a ênfase que se dê à língua portuguesa, falada por muitos milhões de pessoas no mundo. É uma língua admirável que tem de ser adoptada pelas instâncias internacionais tal como o inglês, o francês e o espanhol.
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Nós percorremos o mundo deixando a marca inapagável da nossa cultura e enriquecendo-nos, é verdade, com as outras que contactámos em todos os cantos do mundo.
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Darmos notícia do que resultou desses contactos e dos que continuamos a ter é importante para a afirmação da nossa cultura.
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Todos os trabalhos que damos a conhecer através deste Encontro de Culturas Lusófonas, todas as acções nele desencadeadas e aqui, no Centro Cultural Malaposta, apresentadas ao público são uma forma não só de dar a conhecer mas sobretudo de afirmar a riqueza das nossas culturas e da língua que nos é comum. A Bienal de Culturas Lusófonas 2009 será um óptimo instrumento para tal desígnio.
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Está, portanto, de parabéns o Presidente Mário Máximo e a sua excelente e devotada equipa!
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Drª. Maria de Jesus Barroso Soares
Presidente da Comissão de Honra da Bienal de Culturas Lusófonas 2009
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Museu do Neo-Realismo

Foto de Fernando Taborda - Estrada da Vida, 1954



COLECÇÃO DE FOTOGRAFIA PORTUGUESA DOS ANOS 50

MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA - MUSEU DO CHIADO


"A Cor das Palavras"


"A cor das palavras"


Exposição de pintura e poesia de Artur Oliveira e Ricardo Oliveira


02 a 20 de Março de 2009


Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco
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"A Menina do Mar", de Sophia de Mello Breyner Andresen



"A MENINA DO MAR"

Filandorra - Teatro do Nordeste (Braga)

http://www.theatrocirco.com/

Bicentenário do nascimento de Edgar Allan Poe



O bicentenário do nascimento do escritor norte-americano Edgar Allan Poe [nasceu a 19 de Janeiro de 1809] é o mote para o colóquio "Poe e Criatividade Gótica", que decorrerá entre 18 e 20 de Março em diversos locais de Lisboa com a presença garantida de especialistas nacionais e internacionais.

Do programa do colóquio fazem parte sessões académicas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), bem como eventos paralelos na Cinemateca, na Casa Fernando Pessoa, na Biblioteca Nacional e no bar Incógnito, que acolhe a festa de encerramento do certame a 20 de Março.

Os especialistas internacionais Fred Botting, Darryl Jones, Henri Justin e George Monteiro, bem como os portugueses António de Macedo, Filipe Melo, Hélia Correia, Luís Filipe Silva, Fernando Pinto do Amaral e Pedro Mexia fazem parte dos convidados das diversas sessões do evento.

O colóquio inaugura o projecto "Criatividade Gótica", desenvolvido pela Linha de Acção de Estudos Americanos da FLUL coordenada pela Professora Doutora Teresa F. A. Alves.

Margarida Vale de Gato, da Comissão Organizadora do colóquio, apresentará paralelamente a "Obra Poética Completa" de Edgar Allen Poe, livro que sairá sob a chancela da Tinta da China.

À Lusa, a tradutora e Doutorada em Poe, sustenta que o Colóquio tem o objectivo de expandir a iniciativa "não só à Academia mas a uma comunidade mais alargada".

"Edgar Allen Poe foi um escritor cuja obra teve impacto na cultura popular, mas também em áreas mais elitistas - sublinha - e a efeméride que assinalamos é uma oportunidade para se expandir a análise do seu trabalho".

"`Poe e Criatividade Gótica` abordará temáticas associadas ao género gótico nas suas relações com outras formas de arte e cultura", sustenta a Comissão Organizadora em nota.

Paralelamente a leituras encenadas de poesia, existirá uma mostra de filmes e uma festa final com temas musicais temáticos.

O álbum tributo a Edgar Allen Poe "The Raven", da autoria do músico ex-Velvet Underground Lou Reed, é exemplo da "profunda influência em muitos artistas e escritores contemporâneos" da escrita do norte-americano.

A celebração do bicentenário de Edgar Allan Poe é organizada pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (CEAUL), coordenado pelo Professor Doutor João de Almeida Flor e subsidiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O programa completo de actividades do colóquio "Poe e Criatividade Gótica" pode ser encontrado na página oficial do certame alojada em http://www.fl.ul.pt/poe_gothic_creativity/.

PZF/AMN.

Retirado de http://tv1.rtp.pt/


Edgar Allan Poe em Portugal, no Bicentenário do Autor
MOSTRA BIBLIOGRÁFICA
4 a 31 de Março
Biblioteca Nacional de Portugal


sábado, 14 de março de 2009

"A Corte do Norte", de Agustina Bessa-Luís



O filme «A Corte do Norte», realizado por João Botelho a partir do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, foi seleccionado para a 46.ª edição do New York Film Festival, que decorre entre 26 de Setembro e 12 de Outubro.

Segundo a produtora FF Filmes Fundo, a longa-metragem de João Botelho, rodada em 2007 e 2008, foi uma das 18 seleccionadas este ano para estrear mundialmente no festival nova-iorquino não-competitivo que não tem categorias e não atribui prémios.

Entre os filmes que serão exibidos no festival, que decorre no Ziegfeld Theatre de Nova Iorque, estão «Changeling», de Clint Eastwood, «Let it Rain», de Agnès Jaoui, «Summer Hours», de Olivier Assayas, «Ashes of Time Redux», de Wong Kar-Wai, e «Happy-Go-Lucky», de Mike Leigh.

«A Corte do Norte» conta a história, passada na Madeira, de cinco gerações de mulheres e tem como figura central Emília de Sousa, inspirada na actriz Emília das Neves, a primeira vedeta feminina da representação dramática em Portugal.

A actriz Ana Moreira protagoniza o filme, interpretando sete personagens diferentes em épocas distintas, entre 1860 e 1960.

Integram igualmente o elenco do filme os actores Ricardo Aibéo, Rogério Samora, Laura Soveral, João Ricardo Custódia Gallego e Margarida Vila-Nova, além de Rita Blanco e Virgílio Castelo, em participação especial.

Produzido por António da Cunha Telles, Pandora da Cunha Telles e FF Filmes Fundo, com o apoio do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) e da RTP, e inteiramente rodado em digital, «A Corte do Norte» será o primeiro filme português a ser projectado em 2k no circuito comercial.

A estreia nas salas de cinema portuguesas está prevista para a primeira quinzena de Novembro e contará com o apoio da Guimarães Editora, que reeditará o romance A Corte do Norte, publicado em 1987, e lançará ainda um álbum com fotografias e diálogos do filme.

Lusa/SOL