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terça-feira, 26 de maio de 2009

"Gaivota", do projecto "Hoje"



Gaivota
Amália Rodrigues

Composição: Alexandre O'Neill / Alain Oulman


Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Porque poluímos tanto?" ou "Por que poluímos tanto?"

Segundo, por exemplo, o livro Em Português?, da Porto Editora, é referido que “porque” deverá escrever-se numa única palavra sempre que «se trate de um advérbio interrogativo, surgindo sempre ligado a um verbo» (p. 120). Deste modo, não se deve dizer “Por que poluímos tanto?”, mas sim “Porque poluímos tanto?” (Outros exemplos: "Porque não reclamaste?"; "Porque me tornei vegetariano?").
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«"Por que" escreve-se em duas palavras sempre que "por" é uma preposição», que se junta ao pronome interrogativo adjunto "que": "Por que motivo faltaste?" (O pronome "que" surge sempre junto de um substantivo ao qual está ligado pelo sentido).

Lousalite / lusalite/ losalite / rosalite

Não encontrei este termo nos dicionários que consultei.
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Penso que a ortografia mais adequada para designar este tipo de telha à base de fibrocimento será “lusalite”, por a ver com alguma frequência em documentos de instituições credíveis e que denotam preocupações com a escrita, como os tribunais.

"Exitoso"

Conforme o Dicionário da Língua Portuguesa 2009, da Porto Editora, este adjectivo usa-se em Angola com o significado de “êxito”: "A participação de Angola no campeonato mundial de andebol foi exitosa".

"Tivera falado"

Penso que se pode aceitar a construção “tivera falado” ("Ele tivera falado com o seu médico há tempos..."), que corresponde a “tinha (ou havia) falado”, portanto, pretérito mais-que-perfeito composto, só que apresenta um cunho mais arcaizante.
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No Ciberdúvidas, surge com a designação de “pretérito mais-que-perfeito anterior do indicativo”.

"Pese embora"

O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (http://ciberduvidas.sapo.pt) dá a resposta para este caso:
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«O Dicionário Houaiss regista a expressão "pesar embora" nas seguintes construções:
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1. «ainda que tal coisa custe ou doa a» — «estamos indo bem, pese embora aos catastrofistas de plantão»;
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2. «apesar de, a despeito de» — «restabeleceu-se, pesem embora os maus-tratos recebidos».
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Trata-se de uma expressão que é de certo modo fixa, mas que permite a sua articulação com outras frases, porque constitui uma oração concessiva. O verbo é sempre pesar, que pode ser usado como transitivo indirecto, como na frase 1, ou como intransitivo, a concordar com um sujeito expresso, como se vê em 2. Esta construção vem também descrita no Novo Dicionário Lello Estrutural, Estilístico e Sintáctico da Língua Portuguesa, de Énio Ramalho.
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A presença de embora, que é hoje uma conjunção concessiva, é neste caso arcaísmo e deve ser interpretada ainda como a aglutinação da expressão «em boa hora», tão característica do português do séc. XVI e já usada nesta fase com esse valor concessivo. Não há, portanto, redundância, no uso de pese embora.»
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Parece-me, pelo que ficou dito, que se pode aceitar como uma locução conjuncional subordinativa concessiva, tal como “apesar de” (locução, também ela, concessiva).

Tetracampeão e outros mais

Poderemos usar os radicais (que exprimem quantidade) "bi-", "tri-" (latinos), "tetra-", "penta-", "hexa-", "hepta-", "octo-", "enea-", "deca-", "hendeca-" e "duodeca-" (gregos), juntando-os ao substantivo “campeão”, para obtermos este tipo de palavras formadas por composição morfológica (subordinação), ou seja, "pentacampeão", “hexacampeão”, “heptacampeão”, ...

Contudo, não há um grande consenso entre os linguistas quanto à utilização “desenfreada”, muito na moda, destas palavras híbridas.

É de notar também que, a partir de doze, deve registar-se, por exemplo, que “Angola é campeã, por treze vezes seguidas, em basquetebol”.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Filme "Singularidades de uma Rapariga Loura", de Manoel de Oliveira

"Singularidades de um Rapariga Loira" traz-nos uma história de amor e desavenças, carregada da característica ironia de Eça de Queirós, sobre a moral e o atavismo português.

Manoel de Oliveira transpõe para o presente o conto de Eça. Macário (interpretado pelo neto de Oliveira, Ricardo Trêpa) é um contabilista que se apaixona perdidamente por Luísa (Catarina Wallenstein), a rapariga loira que costuma observar no quarto a partir da janela do seu escritório.

Consegue conquistá-la e tornar-se seu noivo, contra todas as adversidades, entre as quais a firme oposição do tio, que o expulsa mesmo de casa por causa disso. Contudo, um dia quando estavam numa ourivesaria, Luísa rouba um anel de diamantes e Macário, como homem de princípios sólidos, não hesita em chamá-la de ladra e romper definitivamente com a relação. À semelhança do que acontece no conto, a história é contada conforme Macário se lastima da sua desgraça a um passageiro com o qual se cruza no comboio (no filme uma personagem interpretada por Leonor Silveira).

Baseado no conto publicado por Eça em 1902, "Singularidades de uma Rapariga Loira" é o 49.º filme do realizador centenário. Entre o elenco encontram-se ainda Rogério Samora, Júlia Buisel e Diogo Dória.



79.ª Feira do Livro de Lisboa


Veja a programação:


Mara Castilho, artista plástica



"Sinto-me estrangeira em toda a parte, menos na língua portuguesa."

Mara Castilho, in Jornal de Letras n.º 1005

Xutos e Pontapés, 30 anos depois

O Novo Álbum

"Xutos & Pontapés"

Festa da Flor na Madeira

Cerca de 1.100 figurantes em representação de nove grupos animaram hoje [26 de Abril] as várias dezenas de milhar de madeirenses e turistas presentes nas principais artérias do Funchal, para verem mais um desfile da Festa da Flor.

As festividades, que começaram no último dia 15 e que só terminam dia 30, foram este ano subordinadas ao tema "O Principezinho", numa alusão ao livro de Antoine de Saint Exupéry.

Os nove grupos inspiraram-se nesse tema, com João Egídio a evocar "A viagem do Principezinho à Madeira", a Turma do Funil a propor "O Baile da Amizade", a Associação Fura Samba a prometer "Je veux te dire un secret..." e os Veteranos da Folia a lembrar "O pequeno Príncipe".
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