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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Afim / a fim de

"Afim" é adjectivo e significa que tem afinidade, parentesco ou semelhança; próximo, aderente, conexo, comum: «Políticas afins», «Amigos afins», «Conhecimentos em ciências afins à medicina».
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"A fim de", locução, escreve-se com os elementos separados, equivale a "para" e "para que" com o significado de "com o fim de": «Saiu a fim de tomar café», «Cercou a piscina com um muro, a fim de não ser visto».
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José Mário Costa, in Ciberdúvidas

«Informamos os docentes que...» ou «Informamos os docentes de que...»?

Só a segunda expressão é que está correcta, uma vez que temos presente a entidade a quem vamos prestar a informação («os docentes«). Assim, devemos dizer e escrever «Informamos os docentes de que...». Se não tivermos presente a entidade a quem prestamos a informação, não devemos empregar a preposição "de" («Informamos que...»).
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O mesmo se deve aplicar ao verbo "avisar": «Avisamos os docentes de que...» e «Avisamos que...»
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O verbo «comunicar» constrói-se somente com "que": «Comunicamos aos docentes que...» e «Comunicamos que...».

«Convoca-se todos os docentes...» ou «Convocam-se todos os docentes...»?


Tanto «convoca-se todos os docentes» como «convocam-se todos os docentes» são frases correctas. Com efeito, na primeira, o pronome "se" representa um sujeito impessoal («Há quem convoque todos os docentes») e, na segunda, corresponde a um sujeito passivo («São convocados todos os docentes»).
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Carlos Rocha, in Ciberdúvidas

domingo, 26 de outubro de 2008

Manuel Halpern

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«Eu chamo-me, logo existo. Eu chamo-te, logo existes.»


«Estás totalmente nua por baixo da camisa. Mas, na verdade, toda a gente está nua por baixo da roupa que traz vestida.»


«Porque, nisto do amor, uma coisa é fazer, outra coisa é dizer e outra coisa é amar.»


«Fazer amor é coisa dos corpos. Amar é coisa dos espíritos.»

Excertos do livro fora de mim, de Manuel Halpern



sábado, 18 de outubro de 2008

Arquipélago das palavras


«Como toda a natureza tem uma dimensão poética, também tem uma dimensão matemática. Acredito mesmo, como dizia Galileu, que toda a natureza está escrita em linguagem matemática. No fundo, tudo se reduz às duas únicas ferramentas do pensamento: as palavras e os números. O que me interessa é o cruzamento entre o pensamento das palavras e o pensamento dos números.»
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Excerto de uma entrevista concedida por Paulo Teixeira Pinto ao Jornal de Letras (992), a propósito do seu primeiro livro, intitulado LXXXI (Poema Teorema)
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Mário Cláudio vence Prémio Literário Fernando Namora





O Prémio Literário Fernando Namora, atribuído pela Estoril Sol, no valor de 25 mil euros, foi atribuído ao romance Camilo Broca, de Mário Cláudio.




Pilar del Río entrevista José Saramago



Excertos da marcante entrevista de Pilar a Saramago, por ocasião dos dez anos da atribuição do Prémio Nobel ao escritor português.

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«[...] também me desespera a falta de respeito pelo idioma. Porque somos o que pensamos, e dizemos aquilo que pensamos com palavras. Se as palavras são tão mal usadas, deturpadas, mal pronunciadas muitas vezes, que espécie de pensamento podem expressar? Isso é frustrante.»
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«Quando se vive de ilusões é porque algo não funciona. A nossa imagem mais constante é a de alguém que está parado no passeio à espera de que o ajudem a atravessar para o outro lado.»

«A proximidade de um desastre, mesmo que seja muito relativo, pode comover muito mais que uma tragédia longínqua, que acaba por tornar-se abstracta. Quatro mil chineses mortos nas inundações, em que pode isso tocar-nos?»

«Vamos lá ver: toda a gente sabe que a riqueza se alimenta da pobreza.»

«O ser humano é um animal doente. E parece que não temos cura.»

«Está claro: privatizam-se os lucros, as perdas assumimo-las todos. [...] Embora também possa acontecer que se mude alguma coisa para que tudo continue na mesma.»
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«A vida pode dar-se por muitas coisas, mas não por um pedaço de pano, ainda que as pessoas digam, "mas isto é a Pátria". Que não é, pois se um regime muda, muda a bandeira.»
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«A intolerância não é uma tendência, é uma brutal realidade.»
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«[...] acho que na sociedade actual falta-nos filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência. Falta-nos reflexão, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.»
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«Estes dez anos foram os dez anos que mudaram a tua vida? Eu acho que não, Pilar. Quer dizer, a minha vida tornou-se mais agitada, mais participante. É algo que aconteceu, que teve consequências, mas não mudou nada em mim. Entre o antes e o agora houve uma continuidade natural.»
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«Sabemos que a morte é uma chatice, claro, e no caso dos escritores é uma dupla chatice. O escritor morre e a sua obra, geralmente, entra numa espécie de nuvem negra.»
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Excertos retirados da revista Única do Expresso, de 11 de Outubro de 2008

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Arquipélago das palavras



Craig Mello

Biólogo Molecular

Nobel da Medicina em 2006

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«Ser cientista implica manter a humildade, porque estamos quase sempre errados. Os seres vivos são tão incrivelmente surpreendentes. O melhor é quando descobrimos que uma coisa que se pensava estar certa, está, afinal, errada. Mas, frequentemente, é muito frustrante e os cientistas precisam de um reforço de entusiasmo. Para mim, falar com estudantes tem esse efeito. Ou até explicar à família, porque me obriga a falar de forma simples da minha investigação.» (V814)

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“Projectos-lei” / “Projectos-leis” / “Projectos de lei”

Há tempos, uma colega inquiria-me sobre o plural de “projecto-lei”, pois ficou intrigada ao ouvir, da parte de um jornalista, “projectos-leis”.

Numa consulta breve por vários dicionários da língua portuguesa, reparamos que a palavra “projecto-lei” não existe, mas sim “projecto de lei”, que se pode definir como uma «proposta apresentada à assembleia legislativa para ser discutida e convertida em lei» (Dicionário da Língua Portuguesa 2009, Porto Editora).

Segundo António Marques, «só pode haver “projecto de lei” como há “proposta de lei” e não “proposta lei” ou “proposta-lei” (Tento na Língua!, Plátano Editora).

Assim sendo, o plural de “projecto de lei” é “projectos de lei”, como o de “proposta de lei” é “propostas de lei”.

No caso de “decreto-lei”, já é diferente, uma vez que o plural deve ser “decretos-lei”, pois «só o primeiro toma a forma de plural quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico: navio-escola, navios-escola» (Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra).

Qual é a diferença entre “maçã” e “pêro”?

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa 2009, da Porto Editora, a “maçã” é o «fruto comestível da macieira, de forma arredondada e polpa consistente», ao passo que o “pêro” é uma «variedade de maçã alongada e doce».

Na opinião de F.V. Peixoto da Fonseca, do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, o “pêro” «é um fruto diferente da maçã, no aspecto, mais arredondado, e no gosto». Menciona ainda que, em vários locais, não se estabelece a diferença, chamando-se, assim, maçãs.

José Azevedo e Menezes, em resposta a Peixoto da Fonseca, refere que «a espécie ou o fruto é só um, a maçã, com inúmeras variedades. Em algumas zonas do País, nomeadamente no Norte, a todas elas se dá o nome de “maçã”. Noutras, a algumas dessas variedades, por exemplo, a “golden”, dá-se o nome de “pêro”. [...] Todos os pêros são maçãs, mas nem todas as maçãs são pêros».

Numa consulta ao blogue Agricultando, de Joaquim Leça, que disponibiliza os textos publicados na revista Mais, do Diário de Notícias, pode ler-se, no artigo intitulado “Pêro Domingos”, que «a diferença entre pêro e maçã está na relação entre a altura e o diâmetro do fruto. Quando este é mais alto que largo, é um pêro. Quando o mesmo é mais largo que alto, é uma maçã. Mas ambos são maçãs, podendo considerar-se a denominação pêro como um regionalismo que diferencia um fruto “alto” de outro “achatado”».

Em conclusão, a "maçã" é a espécie, enquanto o "pêro" é uma variedade. Este último distingue-se por ser mais alongado e pelo sabor aromatizado.
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Fotorreportagem da XXIV Festa do Pêro na Ponta do Pargo


Manuel Dias da Fonseca

(n. 15.10.1911 - m. 11.03.1993)
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Manuel Dias da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém, no dia 15 de Outubro de 1911. É considerado um dos mais destacáveis escritores do neo-realismo literário português.

sábado, 11 de outubro de 2008

Parabéns, Dizedores!

O blogue Dizedores fez, no passado dia 3 de Outubro, um ano de existência.
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Um especial obrigado a todos os consulentes e aos colegas que, amavelmente, dão o seu contributo para o enriquecimento do blogue.
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Quanto a nós, dentro das nossas possibilidades, continuaremos a semear palavras.
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Concurso de "sites" e blogues sobre Inês de Castro para alunos do básico e secundário


O concurso “Inês de Castro” está na Internet desde segunda-feira para lançar um desafio: fazer o melhor "site" ou blogue sobre o romance de D. Pedro e D. Inês de Castro. O prazo para as inscrições termina em Março de 2009, numa competição destinada a alunos dos ensinos básico e secundário.
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A ideia é reinventar a famosa lenda sobre a paixão do príncipe de Portugal, futuro rei D. Pedro I, por Inês de Castro, filha de um mordomo do rei de Castela. A trágica história – que terminou com o assassinato de Inês, a mando do rei Afonso IV, pai de D. Pedro – serve agora de cenário à competição, numa iniciativa da Fundação Inês de Castro, em parceria com o Plano Nacional de Leitura.
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Os "sites" e blogues – que poderão ser criados por um ou mais alunos – terão de ser acompanhados por, pelo menos, um professor e deverão incluir textos da autoria dos concorrentes. Também poderão ser incluídos outros textos, bem como imagens, vídeos e sugestões de leitura.
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As inscrições estão abertas até 27 de Março, altura em que as propostas serão avaliadas para premiar os melhores. Os vencedores recebem, para além de Ipods e Ydreams, um cheque-livros e um fim-de-semana num hotel (Algarve, Coimbra ou Porto).
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Para poderem concorrer, os alunos têm que estar inscritos no Clube de Leituras e preencher uma ficha de inscrição no "site" do Plano Nacional de Leitura.
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Retirado do jornal Público
(Sugestão de uma nossa consulente)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Acentos que assentam bem

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Atenção às seguintes palavras:
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«bênção» e não «benção»;
«órgão» e não «orgão»;
«órfão» e não «orfão»;
«Cristóvão» e não «Cristovão»;
«Estêvão» e não «Estevão».
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Nota 1: Os acentos gráficos são somente três: agudo («pé»), grave («à») e circunflexo («avô»).
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Nota 2: O til indica a ressonância nasal de uma vogal («irmã») ou ditongo («irmão»).

«Bombo da festa» ou «Bobo da festa»?

Ambas as expressões existem, mas com sentido um tanto diferente.
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[O] «bombo da festa»: aquele que sofre a descarga da ira dos circunstantes; pessoa muito falada, criticada e de quem se faz troça, que é objecto de chacota; aquele que apanha muita pancada; que é sistematicamente responsabilizada pelo que de mau acontece.
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«[Ser o] «bobo da festa (ou da corte)»: «pessoa que faz rir toda a gente com brincadeiras e graças (por vezes tolas).» Provém do castelhano "bobo", derivado do latim 'balbus, a, um', «gago». «'Balbu-' significava gago e originou o verbo 'balbutiare' (gaguejar, falar obscuramente). Em português, 'balbutiare' deu balbuciar e 'balbu' virou bobo, porque uma das gracinhas que os bobos da corte faziam era imitar gago.(...)», conta Reinaldo Pimenta, no livro A Casa da Mãe Joana (Editora Campus, Rio de Janeiro).
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José Mário Costa/Carlos Rocha

domingo, 5 de outubro de 2008

Faleceu o escritor Dinis Machado

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O escritor e jornalista Dinis Machado faleceu no passado dia 3 de Outubro, aos 78 anos, vítima de cancro do pulmão.
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A obra que mais o celebrizou foi, sem dúvida, O Que Diz Molero, que se destaca na literatura portuguesa.
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Veja a notícia do Correio da Manhã.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Padre António Vieira


«O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive, e, não tendo acção em si mesmo, move os ânimos e causa grandes efeitos.»
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Pe. António Vieira, Sermão de Nossa Senhora da Penha, Lisboa, 1652

Machado de Assis


(n. 21.01.1839 - m. 29.09.1908)
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«Se és feliz, escreve; se és infeliz, escreve também...»

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No centenário da morte de Machado de Assis, magnífico escritor brasileiro, aqui ficam algumas das suas palavras bem cariocas.
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Visite a página dedicada a Machado de Assis, da responsabilidade da Academia Brasileira de Letras.
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José Cardoso Pires

(n. 2.10.1925 - m. 26.10..1998)
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José Augusto Neves Cardoso Pires nasceu no dia 2 de Outubro de 1925 em São João do Peso, Vila de Rei, distrito de Castelo Branco.
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Para saber mais, clique aqui.