“Canga”, de Horácio Bento de Gouveia
Por volta de 1946, Bento de Gouveia empreendeu a escrita desta magnífica obra, que aborda as injustiças que pesavam sobre o mundo rural madeirense, sobretudo por causa do medieval regime agrário da colonia, que obrigava o empobrecido camponês a trabalhar desalmadamente uma terra que nunca lhe poderia pertencer. O benefício era todo do senhorio, que impunha as rendas pelo amanho dos terrenos, mais as partes do que estes produzissem, não olhando às dificuldades e às inconstâncias do tempo, aos imprevistos, às maleitas, à penúria, mas somente ao lucro máximo. Chegava-se ao cúmulo de os pobres camponeses serem inspeccionados nos seus feijoeiros, a fim de o senhorio se acautelar que nenhuma vagem tinha sido arrancada do pé, pois tudo o que medrava nos terrenos não pertencia aos colonos, mas sim ao senhor, apesar de serem aqueles que cultivavam a terra e sobreviviam com os restos com que conseguiam ficar (isto quando a terra dava). Assim, em 1949, Bento de Gouveia lança Ilhéus . Numa reediçã...