O que faz falta, Zeca?

Festejamos hoje os 35 anos da Revolução dos Cravos, como ficou conhecido o golpe militar que pôs termo a mais de 40 anos de ditadura. Do rol variado de restrições que então se impunham e que a «Primavera marcelista» não soube ou não quis extinguir, destaco a censura de tudo o que então se escrevia. Sob o olhar atento dos censores, mais preocupados com palavras sediciosas do que com a qualidade da escrita, estendiam-se, carrancudos, os traços do lápis azul e, encimando uma folha, o rotundo “VISADO”. Sem dúvida que a Revolução nos possibilitou definir um caminho político para o nosso país, construído em diálogo, confronto de ideias ou ideais, muitas das vezes acalorados, demasiado românticos e, pior, com ajustes de rua, atentados, motins, que, por pouco, nos iam projectando para uma guerra fratricida. Apesar de tudo, as hostes acalmaram, muito no espírito do Condestável Nuno Álvares Pereira, que, garantida a integridade da nação, se recolheu do campo das batalhas políticas para se dedic...