
A Visão publicou, no dia 23 de Outubro, a sequência de um encontro inédito entre António Lobo Antunes e Gonçalo M. Tavares. O elo condutor foi a quinta edição de O Arquipélago da Insónia, mas, para nosso maior regozijo, a conversa descontraída empolgou-se por várias vertentes da literatura.
Aqui ficam alguns excertos:
António Lobo Antunes: No princípio, fazia muitos planos, mas agora quando escrevo não tenho nada, absolutamente nada. As coisas aparecem-me e, quando está a correr bem, a mão fica feliz.
Gonçalo M. Tavares: O que eu sinto é que há duas fases: essa fase do prazer e, depois, a fase dolorosa, que para mim significa sofrimento puro.
ALA: A parte das correcções é horrível. Eu corto, corto, corto… É como ser professor de Português e ter que corrigir os pontos dos alunos. E, ainda por cima, pontos maus, porque as primeiras versões são de facto muito distantes daquilo que imaginávamos que o livro seria. Como aproximar tudo aquilo? Só através de correcções, correcções, correcções.
[…]
GMT: São necessárias cem versões para parecer que se escreve à primeira, não é? De qualquer modo, eu acho que há um momento a partir do qual se piora. Balzac falava muito nisso. Tira ponto, mete vírgula e, a certa altura, é preciso ir ao caixote do lixo à procura da primeira versão.
[…]
GMT: […] Quando me deram o Prémio Portugal Telecom, perguntaram-me o que é que ia fazer com o dinheiro. Eu respondi que ia comprar tempo.
ALA: Devia ter dito que ia comprar um [bolo] económico e uma carcaça. Ninguém pergunta a um banqueiro o que é que ele faz ao dinheiro, mas perguntam-no a um escritor como se nós fôssemos mendigos. Parece uma tia minha que, quando dava uma esmola, dizia: «Agora não gaste tudo em vinho.»
[…]
GMT: Há uma desvalorização da palavra. E sobretudo da palavra oral.
[…]
GMT: Noto que o movimento da escrita, mesmo corporalmente, alimenta mais escrita.
[…]
ALA: Já várias vezes disse que o importante é que o livro seja inteligente, não o autor.
[…]
GMT: O que me parece é que é fácil fazer coisas aos 38 anos. O difícil é continuar, continuar, continuar…
Aqui ficam alguns excertos:
António Lobo Antunes: No princípio, fazia muitos planos, mas agora quando escrevo não tenho nada, absolutamente nada. As coisas aparecem-me e, quando está a correr bem, a mão fica feliz.
Gonçalo M. Tavares: O que eu sinto é que há duas fases: essa fase do prazer e, depois, a fase dolorosa, que para mim significa sofrimento puro.
ALA: A parte das correcções é horrível. Eu corto, corto, corto… É como ser professor de Português e ter que corrigir os pontos dos alunos. E, ainda por cima, pontos maus, porque as primeiras versões são de facto muito distantes daquilo que imaginávamos que o livro seria. Como aproximar tudo aquilo? Só através de correcções, correcções, correcções.
[…]
GMT: São necessárias cem versões para parecer que se escreve à primeira, não é? De qualquer modo, eu acho que há um momento a partir do qual se piora. Balzac falava muito nisso. Tira ponto, mete vírgula e, a certa altura, é preciso ir ao caixote do lixo à procura da primeira versão.
[…]
GMT: […] Quando me deram o Prémio Portugal Telecom, perguntaram-me o que é que ia fazer com o dinheiro. Eu respondi que ia comprar tempo.
ALA: Devia ter dito que ia comprar um [bolo] económico e uma carcaça. Ninguém pergunta a um banqueiro o que é que ele faz ao dinheiro, mas perguntam-no a um escritor como se nós fôssemos mendigos. Parece uma tia minha que, quando dava uma esmola, dizia: «Agora não gaste tudo em vinho.»
[…]
GMT: Há uma desvalorização da palavra. E sobretudo da palavra oral.
[…]
GMT: Noto que o movimento da escrita, mesmo corporalmente, alimenta mais escrita.
[…]
ALA: Já várias vezes disse que o importante é que o livro seja inteligente, não o autor.
[…]
GMT: O que me parece é que é fácil fazer coisas aos 38 anos. O difícil é continuar, continuar, continuar…
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Leia a versão integral no seguinte endereço: http://aeiou.visao.pt/Actualidade/Cultura/Pages/campocontracampo.aspx
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